Renda extra

Fabrizio Gueratto: 8 maneiras de ganhar até R$ 4 mil por mês

Juros devem subir, diz economista de banco

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deverá elevar a taxa básica de juro (Selic) em 1 ponto porcentual na reunião da próxima semana. A aposta é do economista-chefe do Credit Suisse First Boston, Rodrigo Azevedo. "É necessário um aperto de política monetária. A grande dificuldade neste momento são as incertezas em relação ao futuro da política econômica da próxima administração", disse.Ele afirmou que a inflação tem sido influenciada pela desvalorização do real, "mas a principal preocupação do BC agora deve ser a inflação futura". Segundo ele, a elevação das previsões do mercado para o IPCA em 2003, de 5,5% para 9%, mostra que há uma forte perda de credibilidade da meta inflacionária de 4%. "Já trabalhamos com uma taxa de 11,2% para o IPCA no próximo ano".Ele acredita que uma atitude passiva do Banco Central neste momento deterioraria estas expectativas, levando as projeções para a casa dos dois dígitos. "Com a inércia, seria difícil trazer as projeções para perto da meta no ano que vem", disse. A alta da Selic ainda restabeleceria o nível de juro real, que não acompanhou o incremento nas expectativas de inflação.Azevedo disse que um choque de juros neste momento, conforme defendem alguns analistas para a produção de um impacto efetivo nas taxas de inflação, sem a perspectiva de um aperto fiscal imediato, poderia causar preocupações e prejudicar a atuação do futuro governo. Uma pequena alta sinalizaria que o Banco Central continua alerta sem provocar pânico, na opinião de Azevedo.O economista não aposta que uma possível alta da Selic vá prejudicar a dívida pública, que está em boa parte atrelada ao câmbio. "Deve-se pensar que a elevação do juro traz um impacto também para o câmbio" disse ele, considerando um efeito positivo para a dívida nesse caso.Para o economista, um anúncio rápido dos nomes que vão compor a equipe do futuro governo e também a definição da política econômica do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva tornariam mais rápido o processo de apreciação do real, favorecendo a queda da inflação.Ele foi cauteloso ao fazer previsões para a Selic em 2003. "Não haverá muito espaço para corte no início do ano. Seria temeroso um relaxamento da política monetária já nos primeiros meses do novo governo. Tudo vai depender dos rumos da política monetária e fiscal". A permanência de Fraga na presidência do Banco Central resultaria em uma transição gradual, disse o economista, salientando o "calibre e experiência" de Fraga. O anúncio o quanto antes do nome que vai comandar o BC e a demonstração do quanto austera será a política econômica poderiam aumentar a eficiência das ações da autoridade monetária neste momento. "É ruim a perspectiva de entrar em 2003 sem estas definições", disse.Ele não considera fraqueza ou falta de nomes nos quadros do PT a opção pela manutenção de Fraga à frente do BC. "Seria pragmatismo. Em momentos de crise é preciso ter alguém já testado", disse.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.