Juros disparam e Bovespa despenca em dia tenso

O dia foi bastante agitado nos mercados financeiros por conta da reunião extraordinária do Comitê de Política Monetária (Copom), que elevou de 18% para 21% ao ano a Selic, taxa básica referencial da economia. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) despencou 4,56% e os juros dispararam. O objetivo principal do governo, que era conter o dólar, teve pouco êxito, já que a moeda fechou em alta de 1,06% a R$ 3,86.Na semana passada o Banco Central (BC) já havia anunciado várias medidas de restrição a operações cambiais, especialmente o aumento dos limites para aplicações cambiais. Também já havia sido decidido o aumento em cinco pontos porcentuais do depósito compulsório, a parcela do dinheiro dos clientes que o banco deve manter imobilizado em reserva. O aumento da Selic encarece o crédito, reduzindo o crescimento da economia e dificultando o repasse das altas do dólar para os preços, já que a demanda fica ainda mais fraca. O efeito recessivo é o que derruba a Bolsa, e a alta nos juros de mercado é o reflexo direto do custo maior de captação das instituições financeiras. Deveria também contribuir para uma procura menor por dólares e alguma transferência de recursos para aplicações corrigidas por juros, agora mais atrativas. Mas, ao menos num primeiro momento, o dólar oscilou muito e manteve-se alto. Há fortes vencimentos cambiais até o final do ano, já que o governo foi rolando suas obrigações cada vez com prazos mais curtos, e elas agora se acumulam. Na quarta-feira, vencem US$ 2,9 bilhões em cambiais e já no dia 23 serão mais US$ 1,1 bilhão. Como as empresas também precisam pagar dívidas no exterior, a procura de dólares mantém-se firme.Por outro lado, o cenário internacional é muito instável, e o crédito está menor para os países emergentes. No Brasil, a provável eleição de Luiz Inácio Lula da Silva para a Presidência, pela primeira vez um petista, traz muitas incertezas. Na dúvida, as cotações oscilam muito e muitos investidores optam por opções mais seguras, com destaque para o dólar.MercadosO dólar comercial foi vendido a R$ 3,8600 nos últimos negócios do dia, em alta de 1,05% em relação às últimas operações de sexta-feira, oscilando entre R$ 3,8000 e R$ 3,9100. Com o resultado de hoje, o dólar acumula uma alta de 66,67% no ano e de 22,11% nos últimos 30 dias.No mercado de juros, os contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2003 negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros pagam taxas de 25,220% ao ano, frente a 23,280% ao ano sexta-feira. Já os títulos com vencimento em julho de 2003 têm taxas de 28,900% ao ano, frente a 28,300% ao ano negociados sexta-feira.A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 4,56% em 8450 pontos e volume de negócios fraco, de R$ 362 milhões. Com o resultado de hoje, a Bolsa acumula uma baixa de 37,76% em 2002 e de 16,99% nos últimos 30 dias. Das 50 ações que compõem o Ibovespa - índice que mede a valorização das ações mais negociadas na Bolsa -, 41 apresentaram baixas. O principal destaque foram os papéis da Petróleo Ipiranga PN (preferenciais, sem direito a voto), com desvalorização de 11,11%. Mercados internacionais Em Nova York, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em alta de 0,35% (a 7877,4 pontos), e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - subiu 0,83% (a 1220,53 pontos). Às 18h, o euro era negociado a US$ 0,9874; uma queda de 0,04%. Na Argentina, a Bolsa de Valores de Buenos Aires não funcionou Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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