Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Juros do cartão de crédito e do cheque especial voltam a subir em novembro

Nem mesmo manutenção da Selic no seu menor patamar foi suficiente para frear escalada de 5,3 pontos porcentuais no juros do cheque especial, que chega a 305,7% ao ano

Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

27 de dezembro de 2018 | 17h03

BRASÍLIA - Depois de um leve arrefecimento em outubro, as taxas de juros cobradas no cheque especial e no cartão de crédito voltaram a subir em novembro, de acordo com o Banco Central (BC). Nem mesmo a manutenção da Selic (a taxa básica de juros) no seu menor patamar e o baixo índice de inadimplência foram suficientes para impedir o aumento dos juros nessas modalidades - as mais caras para as famílias.

Entre as principais linhas de crédito livre para as pessoas físicas, os juros do cheque especial passaram de 300,4% ao ano em outubro para 305,7% ao ano em novembro.

Desde o início de julho, os bancos estão oferecendo um parcelamento para dívidas no cheque especial. A opção vale para débitos superiores a R$ 200. A expectativa da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) era de que essa migração do cheque especial para linhas mais baratas acelerasse a queda do juro cobrado ao consumidor.

O chefe adjunto do Departamento de Estatísticas do BC, Renato Baldini, acha que as ações propostas pelos bancos sobre cheque especial ainda irão fazer efeito.  Ele minimizou a alta de 5,3 pontos porcentuais nos juros cobrados no cheque especial em novembro, mesmo após a entrada em vigor de medidas adotadas pelo setor bancário.

"Foi uma variação pequena, se comparada à magnitude dos juros cobrados em média no cheque especial. Essas oscilações pequenas normalmente decorrem de mudanças na composição dessas taxas, como o aumento da participação de um determinado banco no total da modalidade, ainda que nenhuma instituição tenha alterado suas taxas", argumentou.

Já o juro médio total cobrado no rotativo do cartão de crédito subiu 4,1 pontos porcentuais de outubro para novembro. Com isso, a taxa passou de 275,7% para 279,8% ao ano. Essa também é uma das taxas mais elevadas entre as avaliadas pelo BC. No caso do cartão de crédito parcelado, o juro passou de 166,1% para 161,5% ao ano.

Em abril de 2017, começou a valer a nova regra que obriga os bancos a transferir, após um mês, a dívida do rotativo do cartão de crédito para o parcelado, a juros mais baixos. A intenção do governo com a nova regra era permitir que a taxa de juros para o rotativo do cartão de crédito recuasse, já que o risco de inadimplência, em tese, cai com a migração para o parcelado.

Baldini, do BC, destacou que apesar do aumento nessas modalidades, o juro médio do crédito total ficou estável em 24,6 ao ano em novembro. Segundo ele, no geral as taxas cobradas pelos bancos têm caído, mas essa redução poderia ser maior.

"De fato, o ciclo monetário favorece a redução das taxas de juros e a manutenção delas em níveis baixos. Isso tem acontecido. Nos últimos 12 meses, a taxa média no crédito total caiu 2,2%", destacou. "O que o BC espera é que a queda nos juros ocorra de maneira sustentável. Inadimplência baixa e a redução de incertezas ajudam a manter juros baixos, mas a aprovação de reformas também contribuirá para essa trajetória", completou.

O economista do BC apontou ainda que o crédito livre (sem habitacional, poupança e rural) continua crescendo de maneira expressiva. Em 12 meses até novembro, o estoque do crédito livre teve alta de 10,4%, enquanto o saldo de crédito direcionado recuou 1,8%.

"Em novembro, o crédito direcionado cresceu 0,2%. A tendência é de que o saldo de crédito direcionado em 12 meses também", completou.

Segundo Baldini, a alta de 1,1% no estoque de crédito total em novembro foi a melhor para o mês desde 2014, quando o crescimento no 11º mês do ano foi de 1,3%. Em 12 meses, o saldo de crédito total tem alta de 4,4%.

 

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