Juros do cheque especial aumentam ainda mais

De acordo com o Banco Central (BC), em novembro, os juros e o spread - diferença entre o custo de captação de recursos e o custo da taxa de empréstimos cobrado pelos bancos - do cheque especial tiveram aumento em relação a outubro. As demais opções de crédito para pessoas físicas e jurídicas, em geral, reduziram suas taxas. Os juros do cheque especial subiram de 150,5% ao ano para 152,7%, o que representa um aumento de 2,2 pontos porcentuais. Já as taxas de juros para pessoas físicas em geral caíram no último mês de 70,8% ao ano para 68,5%. Os juros do crédito pessoal encolheram meio ponto porcentual, caindo em média de 72,5% para 72% ao ano.Além da queda nas taxas de juros, o BC constatou o aumento de 4,8% no total de dinheiro disponível para operações de crédito em novembro, se comparado a outubro. Para as pessoas físicas, o crescimento foi maior, passando de R$ 48,035 bilhões para R$ 50,574 bilhões - mais 5,3%. O maior aumento (9,8%) foi para a aquisição de veículos, cujo saldo pulou de R$ 13,070 bilhões para R$ 14,344 bilhões. Ficaram abaixo do aumento médio do mês o incremento de recursos para o crédito pessoal (4,2%) e para o cheque especial (3,2%).Juros do cheque especial deverão ser informadosOs bancos serão obrigados a informar mensalmente a seus clientes quanto foi gasto com o pagamento dos juros do cheque especial. O objetivo da medida, anunciada pelo Banco Central (BC), e que passa a valer a partir de abril, é mostrar que o custo dessa linha de crédito é bastante elevado para os consumidores. "Queremos que o cliente saia do cheque especial e vá para o crédito pessoal, por exemplo", disse o diretor de Política Monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo. "A idéia é que este custo salte aos olhos do consumidor."Juros reais do Brasil estão entre os mais altos do mundoDe acordo com a pesquisa da consultora financeira Global Invest, o Brasil, comparado com outros 40 países, ficou na segunda colocação no ranking das maiores taxas de juros reais - juros nominais descontando-se a inflação -, perdendo apenas para a Polônia, que teve em novembro 18,6% de juros reais. O estudo leva em conta as taxas básicas de curto prazo praticadas nos últimos 12 meses, deflacionadas pelos índices de preços ao consumidor - no caso brasileiro, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).Segundo o economista sócio da Global Invest, Fernando Pinto Ferreira, a recente melhora no cenário internacional e a queda da inflação brasileira são suficientes para que o Banco Central retome o processo de queda da taxa básica de juros - Selic. "Esperamos agora um corte de no mínimo 0,5%", explica Ferreira.+

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