Juros dos bancos públicos são sustentáveis, diz Meirelles

Para presidente do BC, bancos privados terão de seguir os públicos

Francisco Carlos de Assis e Lucinda Pinto, O Estadao de S.Paulo

15 de agosto de 2009 | 00h00

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse ontem que os bancos privados, em algum momento, terão de seguir os bancos públicos, ampliando a oferta de crédito e reduzindo a taxa de juros. Indagado se as taxas de juros praticadas pelos bancos públicos seriam "insustentáveis", como disse o presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, Meirelles respondeu: "Não. Nós não temos a informação até o momento de que haja bancos praticando taxas insustentáveis. Os resultados das instituições estão sendo publicados. E, como eu disse com toda a clareza, em última análise isso serve como critério de medidas".De acordo com Meirelles, os bancos públicos, numa reação do Brasil à crise, adotaram medidas contracíclicas, ampliando a oferta de crédito e praticando taxas de juros mais baixas. Ele acrescentou ainda que as instituições financeiras públicas foram beneficiadas pelo aumento de depósitos de clientes que estavam em busca de maior segurança. "Agora, na medida em que a economia for se estabilizando, os bancos privados deverão seguir os bancos públicos, voltando a emprestar com taxas mais baixas. É natural que, num cenário mais tranquilo, os bancos privados busquem recuperar mercado, captando e emprestando a taxas de juros mais baixas", disse o presidente do BC. Meirelles afirmou que historicamente os bancos privados não têm dificuldade de conceder crédito e reduzir o spread (a diferença entre a taxa média de juros que os bancos pagam ao captar recursos e a que recebem ao aplicá-los). Segundo ele, essa dificuldade ocorreu agora por causa das medidas contracíclicas adotadas pelo bancos públicos para combater a crise. GRANDE TESTEO presidente do Banco Central voltou a dizer que a política econômica brasileira passou por um grande teste, comprovando que o crescimento experimentado nos anos anteriores não era fruto apenas da expansão benigna que ocorria no mundo. Segundo ele, durante muitos anos se questionou se o Brasil crescia ancorado apenas nas condições mundiais favoráveis. "Então o teste veio. Preferíamos ter tido um teste mais suave. Mas ele veio e o sistema se manteve ancorado e sustentado em bases sólidas", afirmou Meirelles na abertura do seminário sobre Riscos, Estabilidade Financeira e Economia Bancária, promovido pelo Banco Central, em São Paulo. Ele disse que o País deu respostas precisas a cada um dos problemas gerados pela crise. Lembrou que o Banco Central disponibilizou R$ 100 bilhões dos recursos dos depósitos compulsórios para garantir a proteção à liquidez do sistema financeiro. E destacou também as ações adotadas pelo BC para conter a deterioração do mercado de câmbio, como a atuação no mercado de dólar spot e com linhas de empréstimos aos exportadores, o que foi possível, segundo ele, por causa da política de acúmulo de reservas. O presidente do BC também mencionou as ações de estímulo fiscal e alívio monetário, adotadas dentro do regime de metas de inflação. "Foram respostas rápidas a problemas específicos", afirmou Meirelles.

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