Juros e impostos têm maior índice de desaprovação

As políticas do governo Lula em relação à taxa de juros e à carga tributária registraram o maior índice de desaprovação entre os itens apontados pela pesquisa CNI/Ibope, realizada entre 9 e 13 de junho. Passou de 68% em março para 73% em junho, o número de entrevistados que desaprovam a atuação do governo em relação aos impostos. Na faixa de maior escolaridade, o descontentamento atinge 84% e chega a 90% entre os que recebem mais de 10 salários mínimos por mês. O item sobre impostos foi incluído na pesquisa anterior, de março deste ano, e aparece nos dois levantamentos como o tema de maior desaprovação pela população. No caso dos juros, a avaliação negativa subiu de 61% para 67%.A pesquisa, no entretanto, foi realizada antes da decisão do Conselho de Política Monetária (Copom), que, na última quarta-feira, manteve a Selic em 19,75%, encerrando um ciclo de nove meses consecutivos de elevação da taxa. Dentro desse cenário de alta dos juros, o indicador atingiu o patamar mais elevado de desaprovação desde o início do mandato do presidente Lula.Como reflexo da política de juros, aponta a pesquisa, cresceu também a rejeição à atuação do governo em relação ao combate à inflação. A desaprovação subiu de 51%, em março, para 55%, em junho. Ainda aumentou a rejeição quanto à atuação do governo no combate ao desemprego, interrompendo um movimento de recuperação registrado desde junho de 2004. Aumentou de 54% para 62% o número de pessoas que desaprova a condução do governo neste tema. Na área de segurança pública, a desaprovação foi a maior da série histórica da pesquisa CNI/Ibope, que chegou a sua 10ª edição. Passou de 60% para 66%, o índice de rejeição quanto a política do governo nesta área. Em relação aos programas socias do governo, embora o índice de aprovação continue maior que o de desaprovação, foi registrado um crescimento na insatisfação da população também neste campo. (Renata Veríssimo e James Allen)InflaçãoA última pesquisa CNI/Ibope registra redução na expectativa negativa em relação à inflação. Segundo o levantamento, essa percepção pode já ser reflexo da divulgação recente de dados que apontam um recuo nos índices inflacionários. Caiu de 54%, em março, para 51%, em junho, o número de entrevistados que acham que vai aumentar a inflação nos próximos seis meses. Subiu, por conseqüência, de 11% para 14% o número dos que acreditam numa queda da inflação, enquanto que aqueles que acham que não vai mudar aumentaram de 29% para 30%. Quanto ao crescimento do desemprego, a pesquisa mostra uma pequena variação, dentro da margem de erro, de 2,2 pontos porcentuais para baixo ou para cima, mostrando uma estabilização nas expectativas quanto a este indicador. Subiu de 52%, em março, para 53%, em junho, os entrevistados que acreditam no aumento do desemprego nos próximos seis meses. Aqueles que apostam na diminuição, caiu de 23% para 21%, enquanto que subiu de 21% para 22% aqueles que acham que atual situação não vai mudar. A preocupação com o desemprego é maior nas capitais, nas regiões Norte e Centro-Oeste e na periferia.RendaA pesquisa CNI/Ibope revela também que aumentou a preocupação da população em relação à renda das pessoas, interrompendo um quadro de estabilidade neste indicador há quase um ano. Subiu de 24%, em março, para 30%, em junho, o número de pessoas que esperam uma queda na renda nos próximos seis meses.O porcentual dos que acreditam que a renda vai aumentar caiu de 26% para 22% enquanto se manteve em 43% o número de pessoas que acreditam que a renda não vai sofrer alteração. Em relação à própria renda, caiu de 31% para 28% os entrevistados que esperam aumentar a renda ao longo do próximo semestre.O número de pessoas que apostam numa queda ficou estável em relação ao levantamento anterior, com 17% dos entrevistados. Aqueles que acreditam que a sua própria renda não vai alterar cresceram de 46% para 49%.

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