inforgrafico/estadao
inforgrafico/estadao

Renda extra

Fabrizio Gueratto: 8 maneiras de ganhar até R$ 4 mil por mês

Imagem Celso Ming
Colunista
Celso Ming
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Juros e inflação

Em todo o mundo, e não só no Brasil, aumentam as dúvidas sobre o real poder dos bancos centrais de controlar a inflação apenas com a política de juros.

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2015 | 16h00

As dúvidas começam com o próprio conceito de inflação, que está longe de ser unanimidade entre os economistas. Há alguns anos, argumentava-se que inflação não é uma situação em que “as coisas aumentam de preço”. Inflação, ensinavam os economistas, é dinheiro perdendo valor. Perde tanto valor que vai sendo preciso cada vez mais dinheiro para comprar a mesma coisa.

Esse conceito de que inflação é manifestação da desvalorização da moeda é o principal fundamento do regime de metas de inflação. Trata-se de municiar os bancos centrais de um sistema de bombas. Quando a inflação baixa para níveis abaixo da meta, a bomba trata de injetar moeda na economia; quando a inflação aumenta, a bomba faz o contrário. O resultado é o tamanho dos juros. Quando há mais moeda na economia, por efeito da lei da oferta e da procura, seu preço (os juros) cai: quando acontece o contrário, aumenta.

Mas a inflação não é só o resultado da perda de valor da moeda. Inflação de custos, ou seja, quando as mercadorias escasseiam por um fator qualquer, como chuvas demais ou de menos, ou pela atuação do cartel do petróleo, os preços também sobem. A inflação pode cair por efeito de outros fenômenos que não têm nada a ver com o volume de moeda na economia. A partir dos anos 80, a inflação mundial despencou pelo impacto causado por dois fenômenos novos: a emergência da China, que despejou produtos industrializados no mundo a uma fração dos preços então vigentes; e o emprego crescente de Tecnologia da Informação, que reduziu substancialmente a necessidade de capitais, de instalações e de mão de obra. Também derrubou os custos de produção e, consequentemente, os preços de mercadorias e serviços.

Neste momento, por mais que os grandes bancos centrais injetem dinheiro na economia para reativar a produção e o emprego, a inflação dos países avançados (o Brasil é outro caso) rasteja. O maior risco entre eles é deflação, não inflação. Enfim, a intensificação do processo de globalização vai mudando também a equação que julgava a estreita relação entre moeda e preços. 

Há anos, argumenta-se, também, que a maneira como os bancos centrais medem a inflação para efeito de definir a política de juros é questionável, porque os índices do custo de vida não levam em conta a evolução de valores importantes da economia, como os preços dos imóveis e dos ativos financeiros (ações, títulos, commodities e do próprio câmbio).

Estas e outras razões são suficientemente fortes para concluir que, apesar do maior conhecimento e dos constantes aperfeiçoamentos dos mecanismos de atuação, o sistema de metas de inflação hoje em vigor na maioria das economias é notavelmente insatisfatório como instrumento de controle de inflação.

A aplicação generalizada do sistema de metas não tem mais do que 40 anos. Por enquanto vão se acumulando as limitações de sua utilização, mas ainda não foi inventado mecanismo melhor para controle da inflação.

CONFIRA:

BNDES e política externa

Em sua edição de quinta-feira, o diário espanhol ‘El País’ publicou matéria com o título que já diz tudo: “A política de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social é parte da política externa do Brasil”. Ou seja, a presidente Dilma, que não gosta nem de política externa nem do Itamaraty, prefere fazer política de boa vizinhança por meio do BNDES.

Esvaziamento das cadernetas

“A gente descobriu que a maior parte das nossas estruturas está obsoleta”, disse o ministro Joaquim Levy na última sexta-feira, em São Paulo. “Uma das áreas obsoletas é o crédito”, completou ele. Uma demonstração dessa obsolescência é a incapacidade de o sistema das cadernetas seguir financiando a casa própria.

Crédito e juros altos

Mas, ao contrário do que pretendia seu predecessor, o ministro Guido Mantega, Joaquim Levy entende que não pode haver expansão do crédito quando o Banco Central reduz o volume de moeda na economia (aumenta os juros).

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.