Juros futuros abrem em alta no 1º dia de Copom

Aposta majoritária do mercado é de aumento de meio ponto porcentual da taxa Selic, que passaria para 11,25% ao ano

Patricia Lara, da Agência Estado,

18 de janeiro de 2011 | 10h00

O Comitê de Política Monetária (Copom) inicia hoje sua primeira reunião do ano e da gestão de Alexandre Tombini na presidência do Banco Central (BC), em meio à expectativa, quase consensual, de que haverá alta da Selic (a taxa básica de juros da economia) de 10,75% para 11,25% ao ano. A curva futura de juros já se antecipou e carrega um prêmio superior ao potencial aumento de 0,50 ponto porcentual. Por isso, o mercado futuro de juros segue vulnerável a realizações. Mas a aceleração do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), anunciado hoje pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), está associada a um clima externo positivo, o que pode adiar a devolução de prêmios nos contratos futuros de DI.

"A agenda é esvaziada. Pode vir uma realização (de lucros) saudável, mas o mercado está leve e tudo pode acontecer", comentou uma fonte, destacando os prêmios elevados inseridos nos DIs de prazos mais curtos. "Os DIs projetavam aumento de 0,55 ponto porcentual, o que, no cálculo dos analistas, pode ser lido como 80% de possibilidade de alta (da Selic) de 0,50 ponto e 20% de chance de avanço de 0,75 ponto nesta quarta-feira", comenta a analista Miriam Tavares, da AGK, em seu relatório diário.

De acordo com 61 das 64 instituições ouvidas nesta semana pelo AE Projeções, será com um aumento de 0,50 ponto porcentual que a autoridade monetária dará início, amanhã, a um ciclo de aperto monetário que pode levar a taxa básica de juros a superar os 13% ao ano em 2011. A elevação da Selic seria uma resposta à aceleração da inflação, à piora das expectativas e serviria também como um carimbo de credibilidade para a gestão Tombini. No mercado de câmbio, um aumento da Selic pode prejudicar os esforços do governo para reduzir a tendência de apreciação do real.

O IPC da Fipe, divulgado hoje, apontou alta de 0,86% na segunda prévia de janeiro, o que indica uma aceleração da inflação ante a taxa de 0,61% apurada na prévia anterior. O indicador, que mede a inflação da cidade de São Paulo, ficou próximo ao teto das estimativas, que variavam de 0,65% a 0,89%.

No Rio de Janeiro, o Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) voltou a subir, de 1,27% para 1,36%, da primeira para a segunda prévia do mês. Esta é a maior taxa entre as sete cidades pesquisadas. Antes dos estragos da chuva, o Rio já vinha sentindo o efeito da pressão dos alimentos e dos transportes. Na coleta diária do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o indicador desacelerou de 0,66% para 0,60% no dia 17, segundo dado monitorado pela FGV.

As ações europeias têm uma manhã com ganhos sólidos, mas as explicações para o movimento são divergentes. Alguns analistas atribuem o clima à decisão de os ministros europeus adiarem para depois de fevereiro a decisão sobre a ampliação dos recursos reservados na Linha Europeia de Estabilização Financeira (EFSF). Segundo esse grupo, isso mostra que eles não estariam dispostos a oferecer mais apoio financeiro artificial.

Outros atribuem o quadro aos resultados de leilões de países europeus. A Espanha vendeu hoje 5,539 bilhões de euros em papéis de 12 e 18 meses, oferecendo rendimentos menores que os propostos no leilão anterior. A Bélgica vendeu 3,156 bilhões de euros, quase o total pretendido de até 3,2 bilhões de euros, e também conseguiu se financiar a um custo melhor.

No Brasil, às 10h02 (horário de Brasília), a taxa projetada pelo DI com vencimento em janeiro de 2012 apontava 12,45%, ante 12,40% do fechamento de ontem. Já o contrato com vencimento em janeiro de 2013 apresentava taxa de 12,81%, ante 12,75% no fechamento anterior.

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