Juros futuros ampliam quedas após medida tributária

Cenário:

NALU FERNANDES, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2012 | 03h09

As taxas de juros no mercado futuro da BM&FBovespa fecharam em queda, ontem, em resposta à deterioração do ambiente internacional. No fim da sessão estendida, a Receita Federal anunciou o adiamento e o espaçamento de uma alta da carga tributária que incidirá sobre a indústria de cervejas. Em troca, houve a promessa de investimentos das empresas que incluem a renovação da frota de caminhões. Mas o fato de o aumento da tributação ficar para 1º de abril de 2013 e de ser totalmente incorporado em seis anos - e não em quatro, como previsto antes - contribuiu para aprofundar a queda das taxas futuras. Assim, o governo tenta evitar o repasse do aumento da carga tributária para os preços finais da bebida, segundo a propria Receita. O recuo ante os ajustes da véspera foi generalizado. A taxa projetada para janeiro de 2013 ficou na mínima de 7,25%, de 7,28% no ajuste anterior. A taxa do contrato de juro para janeiro de 2014 marcou 7,68%, também na mínima, ante 7,74% na véspera. Entre os longos, o juro para janeiro de 2017 indicou 9,05%, de 9,09%.

No mercado de renda variável, a piora do ambiente externo deprimiu as bolsas. O clima negativo foi provocado pelos indicadores abaixo das estimativas nos EUA, pela expectativa pelo resultado do teste de estresse dos bancos espanhóis, na primeira metade dos negócios, e pelo possível rebaixamento da classificação de risco da Espanha, ao longo da tarde - que não se concretizou até o fechamento. O resultado do teste com as instituições espanholas mostrou que o déficit de capital dos bancos é de 59,3 bilhões de euros em um cenário de estresse. Os testes mostraram que sete instituições precisam aumentar suas reservas de capital, enquanto outras sete estão adequadamente capitalizadas, entre elas o Santander. Nesse ambiente, as bolsas internacionais recuaram, com consequente valorização do dólar.

O Ibovespa foi além de seus pares norte-americanos e caiu 1,77%, aos 59.175,86 pontos. A queda das ações de Vale, Petrobrás, Cielo e bancos contribuiu para aprofundar as perdas. Com o resultado de ontem, a Bolsa doméstica registrou recuo de 3,50% na semana. Em setembro, a Bovespa acumulou ganho de 3,71%; no terceiro trimestre, de +8,86%; e, no ano, está em +4,27%.

No câmbio, o dólar à vista contrariou o comportamento externo e terminou com queda de 0,10% a R$ 2,0290 no balcão. Em setembro, o dólar ficou quase estável, ao cair 0,05% ante o real. No ano, sua valorização é de 8,56%.

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