Juros futuros cedem diante da obstinação do BC no câmbio

Cenário:

LUCIANA A. XAVIER, O Estado de S.Paulo

27 de dezembro de 2012 | 02h02

Os juros futuros caíram nesta quarta-feira, influenciados pela obstinação do Banco Central (BC) em conter o avanço do dólar ante o real. Foram três leilões cambiais ontem pela manhã, que tiraram o fôlego da moeda americana. Isso ajudou a nortear também o mercado de juros, pois sinalizou que o BC está preocupado com a inflação e, portanto, com a pressão que o dólar valorizado pode ter sobre os preços. Teria pesado também a favor da baixa dos juros a percepção de que o reajuste dos combustíveis pode não ser tão grande, após declarações recentes feitas pela presidente da Petrobrás, Maria das Graças Foster.

Em entrevista a um jornal no domingo, Graça defendeu um reajuste da gasolina em 2013 alegando que os preços estão defasados. Segundo ela, essa defasagem é de 4% no diesel e de 6% na gasolina. "Isso não é o aumento. É a diferença que pode ser dada de uma vez só ou em longas etapas (até 2016). Essa parte não tem dia nem hora para ser dada", afirmou a presidente da estatal.

O IPC-S, divulgado pela manhã, veio dentro do esperado e ajudou no movimento de queda dos juros futuros. O índice ficou em 0,73% na terceira quadrissemana de dezembro, igual a variação da segunda quadrissemana, sendo que cinco dos oito grupos do IPC-S tiveram desaceleração dos preços. Na BM&F, ao final da sessão estendida, o juro para janeiro de 2014 tinha taxa de 7,14% ante 7,17% na sexta-feira. A taxa para janeiro de 2015 ficou em 7,78%, de 7,85% no ajuste anterior. Já o juro para janeiro de 2017 ficou em 8,51%, de 8,59% anteriormente.

No câmbio, os três leilões do BC - um de venda de dólares com recompra e dois inesperados de swap cambial (equivalente à venda da moeda no mercado futuro) fizeram o dólar baixar dois degraus, do patamar de R$ 2,07 para o de R$ 2,05. O posicionamento foi interpretado como sinal de que a autoridade monetária deseja que o dólar oscile na faixa de R$ 2,00 a R$ 2,05 e não perto do teto informal de R$ 2,10. Para alguns operadores, a preocupação central do BC é o controle da inflação. Após abrir em queda, a R$ 2,071 (-0,29%), a moeda à vista no balcão fechou a R$ 2,0550, em baixa de 1,06%. no mês, até hoje, o dólar acumula perda de 3,39%, mas no ano ainda sobe 9,95%.

Com o impasse sobre a questão fiscal nos Estados Unidos, o Ibovespa acompanhou Nova York e encerrou com baixa de 0,08%, aos 60.959,79 pontos. Com isso, o ganho da bolsa brasileira no mês passou para 6,06% e, no ano, para 7,41%.

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