Juros futuros sobem após dados de varejo, IGP-10 e Caged

Percepção é que pode não haver espaço para o Copom prolongar o ciclo de cortes da Selic até outubro

Fabrício de Castro, da Agência Estado,

16 de agosto de 2012 | 17h42

A bateria de dados divulgados nesta quinta-feira no Brasil disparou a recomposição de prêmios em toda a curva a termo. As taxas dos contratos futuros de juros avançaram em meio à percepção de que as vendas no varejo em junho, bem melhores que o esperado, apontam o início da retomada da economia no fim do segundo trimestre. Ao mesmo tempo, o Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10) de agosto, pressionado pelos preços agrícolas, sugeriram que pode não haver espaço para o Copom prolongar o ciclo de cortes da Selic até outubro. À tarde, os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mantiveram a tendência.

Ao final da sessão regular da BM&F, a taxa dos contratos futuros de juros com vencimento em janeiro de 2013 (385.290 contratos) marcava 7,31%, na máxima, ante ajuste de 7,25% de ontem. A taxa do DI para janeiro de 2014 (595.140 contratos) estava em 7,87%, ante ajuste de 7,75%. Na ponta mais longa, o DI para janeiro de 2017 (94.475 contratos) tinha taxa de 9,28%, ante ajuste de 9,15%, e o DI para janeiro de 2021 (3.660 contratos) marcava 9,92%, de 9,78%.

No início do dia, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) informou que a inflação medida pelo IGP-10 em agosto foi de 1,59% - levemente acima da mediana das expectativas colhidas pelo AE Projeções, de 1,58%, e dentro do intervalo previsto (entre 1,26% e 1,70%). Dentro do indicador, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPA) agrícola chamou a atenção ao avançar 6,23% em agosto, ante 1,94% em julho. Juntos, a soja e o milho responderam por 1,37 ponto porcentual da alta de 2,21% do IPA geral em agosto.

Conforme a FGV, a pressão dessas commodities no atacado, atribuída à seca nos Estados Unidos, deve chegar ao varejo nos próximos meses - ou seja, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que serve de referência para as metas de inflação, pode ser atingido de forma mais intensa.

Esta leitura trouxe um viés de alta para as taxas de juros, assim como os dados do varejo divulgados pelo IBGE. As vendas no setor avançaram 1,5% em junho ante maio, pelo conceito restrito, acima do teto das estimativas do mercado, que esperava entre queda de 1,50% e alta de 0,75%. No varejo ampliado - que inclui os setores de material de construção e veículos -, as vendas avançaram 6,1% em junho ante maio, acima do teto de 5,90% do intervalo esperado pelo mercado. Os números do varejo surpreenderam e puxaram os ajustes de alta nas taxas dos Dis.

O movimento foi sustentado pelos dados do Caged divulgados no início da tarde, que mostraram a criação de 142.496 vagas com carteira assinada em julho, uma alta de 1,37% ante o mesmo mês do ano passado, sem ajustes. Considerando a série ajustada, houve queda de 19,62% no mesmo período. Os números ficaram acima das projeções do mercado (criação de 85.779 a 115.000 vagas).

Em um movimento intenso de reposicionamento em função dos dados, a curva a termo passou a precificar na tarde de hoje recuo de 50 pontos-base (0,50 ponto porcentual) da Selic no encontro deste mês do Copom e novo corte de 17 pontos-base na reunião de outubro, conforme cálculo do estrategista-chefe do Banco WestLB do Brasil, Luciano Rostagno. Na prática, os 17 pontos indicam que ainda há predominância das apostas em um corte adicional de 0,25 ponto porcentual em outubro, embora as chances de manutenção da Selic também sejam consideráveis. Vale lembrar que na quarta-feira a curva a termo precificava de forma majoritária corte de 0,50 ponto em agosto e novo corte de 0,25 em outubro. E nesta sexta-feira haverá divulgação do índice de atividade do BC, o IBC-Br.

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