Juros futuros sobem e consolidam ideia de Selic maior em abril

Cenário:

MÁRCIO RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2013 | 02h11

As taxas futuras de juros, sobretudo as de curto prazo, subiram com muita intensidade ontem, consolidando as apostas de que a Selic subirá na próxima semana. A dúvida agora reside apenas na intensidade do aperto: se de 0,25 ponto porcentual ou de 0,50 ponto porcentual. Tal movimento ganhou intensidade após declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. O primeiro afirmou, por volta do meio-dia, que "o governo tem dado atenção ao combate da inflação" e que medidas serão tomadas, "mesmo que não populares, como o ajuste na taxa de juros". Logo depois, Tombini disse que "não há nem haverá tolerância com a inflação". Tais declarações levaram as taxas futuras a novas máximas e elevaram para cerca de 50% as apostas em uma alta de 0,5 ponto porcentual da Selic já em abril. O contrato de juro futuro com vencimento em julho de 2013 fechou em 7,53%, de 7,32% no ajuste anterior. O juro para janeiro de 2014 subiu a 8,17%, de 7,92%.

O comportamento baixista do dólar ante o real esteve relacionado ao que aconteceu com os juros. A moeda dos EUA abriu em alta devido à aversão ao risco externa, mas a consolidação da perspectiva de Selic maior no curtíssimo prazo fez a divisa cair e renovar mínimas, uma vez que o diferencial entre o juro doméstico e internacional tende a crescer a partir da próxima semana, o que deve atrair ainda mais recursos ao País. Assim, o dólar à vista no mercado de balcão caiu 0,35%, a R$ 1,9700.

A Bovespa, por sua vez, voltou a registrar perdas, em linha com o comportamento dos índices internacionais. No meio da tarde, o Ibovespa chegou a virar para o positivo, puxado pelos papes da OGX e da Vale. No caso da mineradora, influenciaram declarações do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, de que não deve haver cobrança de participação especial para as empresas mineradoras no novo Código de Mineração. As ações ON da Vale terminaram em alta de 1,29% e as PNA, de 1,64%, mas o Ibovespa sucumbiu ao cenário internacional e cedeu 0,79%, aos 54.962,65 pontos.

No exterior, os índices europeus e norte-americanos fecharam majoritariamente em baixa. O Chipre voltou a preocupar, após revelar que precisa de uma ajuda que totaliza 23 bilhões de euros, apesar de o resgate combinado com os credores ser de 10 bilhões de euros. Além disso, os EUA informaram uma bateria de dados negativos, justamente após dois grandes bancos terem apresentado resultados aquém das expectativas.

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