Juros futuros sobem em dia de baixa liquidez

Pessimismo com ambiente externo se mantém, com os investidores de olho na zona do euro

Fabrício de Castro, da Agência Estado,

24 de julho de 2012 | 17h17

As taxas dos contratos futuros de juros fecharam em alta nesta terça-feira em um dia marcado pela baixa liquidez e pela continuação do pessimismo em relação à Europa. Após ficarem próximos da estabilidade durante a manhã, as taxas dos DIs subiram um pouco mais no período da tarde, em especial nos vencimentos mais longos. Porém, os movimentos foram contidos e a curva a termo segue firme na aposta de um corte de 0,50 ponto porcentual da Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), no fim de agosto. Para o encontro de outubro, os investidores se dividem entre manutenção e corte adicional de 0,25 ponto.

Ao final da sessão regular da BM&F, a taxa dos contratos futuros de juros com vencimento em janeiro de 2013 (35.935 contratos) marcava 7,38%, ante 7,38% do ajuste de ontem. A taxa do DI para janeiro de 2014 (182.740 contratos) estava em 7,73%, na máxima, ante 7,68% do ajuste anterior. Na ponta mais longa, o DI para janeiro de 2017 (77.835 contratos) tinha taxa de 8,97%, ante 8,86%, e o DI para janeiro de 2021 (3.760 contratos) marcava 9,61%, na máxima, ante 9,48%.

Chama a atenção justamente a liquidez reduzida na sessão. Na segunda-feira, por exemplo, foram negociados 281.656 contratos do DI para janeiro de 2013 e outros 255.323 contratos do DI para janeiro de 2014 - contra 35.935 e 182.740 desta terça-feira, respectivamente, sem considerar a sessão estendida.

Operador ouvido pela Agência Estado afirmou que um grande player ficou de fora do mercado nesta terça-feira, o que reduziu os negócios na renda fixa. Outro operador afirmou que a ausência de novidades domésticas que fizessem preço nos DIs deixou os investidores parados, mantendo posições. "O mercado está sem dinheiro novo. Hoje é um dia de ficar fazendo negócios com base no que acontece lá fora", disse o economista-chefe da TOV Corretora, Pedro Paulo Silveira.

O clima pessimista segue no exterior, com os investidores de olho na zona do euro. De acordo com o jornal espanhol El Economista, o país considera a possibilidade de pedir um pacote de resgate total, o que evitaria um colapso financeiro "iminente". Já o primeiro ministro da Grécia, Antonis Samaras, afirmou que o país pode ter contração de 7% em 2012 e que a recuperação da economia é esperada para 2014.

Este cenário de crise, que traz um viés de baixa para as taxas dos DIs no Brasil, foi contrabalançado pelo Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) preliminar da China, que subiu para 49,5 em julho, ante 48,2 em junho. O resultado alivia em parte as preocupações com a desaceleração da segunda maior economia do mundo.

No Brasil, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) informou hoje que o porcentual de famílias com dívidas subiu de 57,3% no mês passado para 57,6% neste mês. Porém, o porcentual é inferior ao de julho do ano passado, quando estava em 63,5%. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou que a produção industrial voltou a cair em junho. O indicador da entidade marcou 45,5 pontos no mês passado, ante 51,6 pontos em maio.

Já Receita Federal revelou que a arrecadação de impostos e contribuições somou R$ 81,107 bilhões em junho, o que indica uma queda real de 6,55% ante igual mês de 2011 e uma alta de 3,94% em relação a maio. No semestre, o valor acumulado é de R$ 508,555 bilhões, com alta de 3,63% ante os primeiros seis meses do ano passado.

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