Juros futuros voltam a recuar

O mercado de juros não teve dúvidas em entrar no fim de semana mais confiante. Os juros futuros recuaram mais uma vez, especialmente ao final do dia. Embora as taxas ainda não tenham voltado aos níveis mais baixos do final de janeiro - e provavelmente não voltarão antes da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), nas próximas terça e quarta-feira - os otimistas voltaram a dar o ar de sua graça nas mesas de operação, prevendo redução da Selic em 0,50 ponto porcentual. As apostas majoritárias, contudo, continuam divididas entre manutenção da Selic em 15,25% e corte de apenas 0,25 ponto porcentual. Os prêmios começaram a ser reduzidos anteontem à noite (na negociação eletrônica), com a divulgação do IGP-M, registrando deflação de 0,05% na primeira prévia de fevereiro. A partir daí, mais dois índices trouxeram resultados também animadores - IGP-DI de 0,49%, um índice baixo para janeiro e IPCA de janeiro, em 0,57%, dentro das expectativas. Os números mostram uma inflação bem comportada, apesar da aceleração do crescimento industrial. Reforçou este comportamento dos juros o recuo do Tesouro, ao informar que as compras de moeda estrangeira no mercado não passarão de US$ 1,2 bi este ano (em lugar de "até US$ 3 bi"). O dólar "derreteu", propiciando um clima mais tranquilo ao mercado. Na BM&F, o juro projetado pelo contrato futuro para 1º de outubro (o mais negociado) teve nova queda significativa, para 15,33% ao ano (de hoje ao vencimento), antes 15,43% do fechamento de anteontem. A taxa do de julho caiu menos, para 15,14%, ante 15,18% do fechamento anterior. E a de abril fechou em 15,05%, ante 15,09% de ontem. Resta saber se o mercado continuará reduzindo as taxas no começo da semana que vem, diante de uma agenda movimentada. Na terça-feira, dia da primeira parte da reunião do Copom, o destaque é o depoimento do presidente do Fed, Alan Greenspan, sobre política monetária, ao Comitê de Bancos do Senado norte-americano, às 13 horas. Seus depoimentos costumam ser acompanhados com o máximo de interesse pelas instituições financeiras, que buscam "sinais" de prováveis decisões futuras quanto aos juros dos EUA. Na quarta, quando ocorre a segunda e última parte da reunião do Copom, com a divulgação da nova taxa Selic, é também dia de eleição para as presidências da Câmara e do Senado. A campanhas têm sido tumultuadas e ainda não há previsão fácil de vitória para ninguém.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.