Juros, inflação e crédito pressionam o consumo

O Dia das Mães, as promoções de vendas de TVs às vésperas da Copa do Mundo e a redução de preços de alimentos básicos provocaram, em maio, ligeira melhora nos resultados das vendas no varejo (de 0,5%, em relação a abril), segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mas o avanço diz respeito só ao comércio restrito. Quando se avalia o comércio ampliado - que inclui veículos, motos, peças e material de construção -, houve queda de 0,3%, pelo critério de média móvel trimestral. Como notou o Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, "o desempenho em termos nominais reforça a expectativa de desaceleração gradual do consumo ao longo de 2014".

O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2014 | 02h04

As projeções apontavam, em média, para uma queda de 0,8% no comércio varejista como um todo, entre abril e maio, e para estabilidade das vendas no comércio restrito. A expansão mostrou que o que os consumidores deixaram de gastar com alimentos gastaram com outros bens. Melhorou, por exemplo, o comércio de equipamentos e material de escritório, informática e comunicação (+2,4% no mês).

O consumo está pressionado pela alta das taxas de juros, que resulta em prestações mais elevadas; pela desaceleração da oferta de crédito nos bancos privados; pela resistência da inflação, que corrói o poder aquisitivo dos salários; e pela desaceleração da atividade, que ameaça o emprego.

O crescimento real de 2,2% do comércio ampliado, entre os últimos 12 meses até maio e os 12 meses anteriores, é visto como pequeno. Dezenas de milhões de pessoas, inclusive 70% dos beneficiários da Previdência que percebem o salário mínimo, tiveram aumento real da renda neste ano.

Renda e emprego são as principais determinantes da confiança do consumidor - e, em consequência, do consumo. Nos últimos dois anos, o indicador de confiança do consumidor apurado pela FGV caiu quase ininterruptamente. Tanto que uma pequena reação, em junho, foi enfatizada pela consultoria LCA.

Mas o emprego no comércio da região metropolitana de São Paulo ficou estagnado, em maio. Segundo pesquisa da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP), houve eliminação de 216 vagas formais, num contingente total de 1,007 milhão de postos.

O aspecto mais positivo é que as vendas em supermercados e hipermercados registraram melhora, entre abril e maio, segundo o IBGE.

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