Juros mais elevados no crédito imobiliário

Não fosse a Caixa Econômica Federal (CEF) o maior agente do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), a alta de juros anunciada na semana passada e em vigor desde a última segunda-feira teria menos destaque. Mas a CEF realiza duas em cada três operações de financiamento da casa própria - e, portanto, ao elevar os custos do crédito, provoca efeitos imediatos sobre o mercado imobiliário.

O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2015 | 02h04

Nas linhas em que a fonte de recursos é a caderneta de poupança, o juro passou do mínimo de 8% ao ano para 8,5% ao ano. E nas linhas que se baseiam em outras fontes de recursos, mais caras, o juro passará do piso de 8,8% ao ano para 10,2% ao ano. Nas duas hipóteses, as taxas variam conforme o relacionamento do cliente com a instituição - ou seja, se recebe seu salário pelo banco, se é servidor ou é cliente esporádico, que paga a taxa mais alta (a chamada taxa de balcão).

A diferença entre as taxas antes e depois da alta tem efeitos expressivos: num financiamento de R$ 800 mil por 20 anos, cuja taxa saiu de 9,2% ao ano para 11% ao ano, o cliente pagará cerca de R$ 200 mil a mais. E falta incluir o seguro e a TR, hoje próxima de 1% ao ano.

Não haverá mudança de custo nas linhas destinadas à população de baixa renda ou às faixas do programa de habitação popular Minha Casa, Minha Vida, em que os subsídios são enormes. Também serão mantidos os custos nas operações lastreadas no FGTS, em que a renda familiar não é superior a R$ 5.400,00.

Com as novas tabelas, os custos cobrados pela CEF se aproximam dos custos dos agentes privados, estimulando a concorrência no SFH e no Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI). Mas a decisão transcende a disputa de mercado, usual em economias de mercado.

Em média, os preços dos imóveis se estabilizaram, nas grandes cidades, segundo a pesquisa FipeZap. Os lançamentos e as vendas destinados a todo o espectro de classe média registraram fortes quedas em 2014, segundo o Secovi. Ou seja, a desaceleração já predomina no mercado imobiliário, que depende da oferta de crédito muito mais do que os outros segmentos da economia.

O mercado de imóveis enfrenta dificuldades, em especial, no segmento da classe média, que será o mais atingido pela decisão do banco federal. Ela se soma a outras medidas de aperto econômico em curso. A alta de juros afeta não só mutuários finais, mas os milhares de empresas que atuam na área, a começar das construtoras.

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