Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Juros médios caem, mas taxas do cheque especial e do cartão de crédito voltam a subir

Já o estoque total de operações de crédito do sistema financeiro subiu 2% em novembro na comparação com outubro

Fabrício de Castro e Célia Froufe, O Estado de S. Paulo

23 de dezembro de 2020 | 12h11

Em meio aos efeitos da pandemia do novo coronavírus sobre a economia, a taxa média de juros no crédito livre passou de 26,5% ao ano em outubro para 26,3% ao ano em novembro, informou o BC. As taxas cobradas nas linhas mais caras, no entanto, voltaram a subir. 

A taxa do cheque especial passou de 112,9% ao ano para 113,6% ao ano de outubro para novembro.

Desde julho de 2018, os bancos estão oferecendo um parcelamento para dívidas no cheque especial. A opção vale para débitos superiores a R$ 200. Em 6 de janeiro de 2020, o BC passou a aplicar uma limitação dos juros do cheque especial, em 8% ao ano (151,82% ao ano).

Além da limitação do juro, os dados de hoje refletem uma revisão realizada na série histórica do BC. De acordo com a autarquia, os números passaram a considerar o fato de alguns bancos cobrarem juro no cheque especial apenas após dez dias de atraso no pagamento da fatura. Antes, era considerado todo o período de atraso. Esta mudança fez com que o nível do juro no cheque especial, na nova série histórica, fosse menor em anos anteriores.

Nas operações com cartão de crédito rotativo de pessoas físicas, os juros bancários cobrados das pessoas físicas subiram de 317,4% ao ano, em outubro, para 319,8% ao ano em novembro.

O crédito rotativo do cartão de crédito pode ser acionado por quem não pode pagar o valor total da fatura na data do vencimento, mas não quer ficar inadimplente. Essa é uma das linhas de crédito mais caras do mercado e, segundo analistas, deve ser evitada. No crédito pessoal, por exemplo, a taxa passou de 31,7% em outubro para 31,6% ao ano em novembro.

 

Os dados divulgados hoje pelo Banco Central mostraram ainda que, para aquisição de veículos, os juros foram de 18,9% ao ano em outubro para 19,0% em novembro.

 A taxa média de juros no crédito total, que inclui operações livres e direcionadas (com recursos da poupança e do BNDES), foi de 18,6% ao ano em outubro para 18,7% ao ano em novembro. Em novembro de 2019, estava em 23,6%.

Já o Indicador de Custo de Crédito (ICC) caiu 0,3 ponto porcentual em novembro ante outubro, aos 16,9% ao ano. O porcentual reflete o volume de juros pagos, em reais, por consumidores e empresas no mês, considerando todo o estoque de operações, dividido pelo próprio estoque. Na prática, o indicador reflete a taxa de juros média efetivamente paga pelo brasileiro nas operações de crédito contratadas no passado e ainda em andamento.

Estoque de crédito subiu 2%

O estoque total de operações de crédito do sistema financeiro subiu 2% em novembro na comparação com outubro, para R$ 3,954 trilhões, informou nesta quarta-feira, 23, o Banco Central. Em 12 meses, houve alta de 15,6%.

Os dados apresentados pelo BC são influenciados pelos efeitos da pandemia do novo coronavírus, que colocou em isolamento social boa parte da população e reduziu a atividade das empresas – em especial, nos meses de março e abril. Em meio à carência de recursos, famílias e empresas aumentaram a demanda por algumas linhas de crédito nos bancos.

De acordo com o BC, o estoque de crédito livre (que os bancos podem usar livremente sem seguir regras estipuladas pelo governo) avançou 2,5% em novembro, enquanto o de crédito direcionado (rural e BNDES, por exemplo) apresentou alta de 1,3%.

No crédito livre, houve alta de 2,7% no saldo para pessoas físicas no mês passado. Para as empresas, o estoque avançou 2,2% no período.

O BC informou ainda que o total de operações de crédito em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) foi de 52,4% para 53,1% na passagem de outubro para novembro.  

 

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