Juros nos EUA caem só na reunião do FED

O depoimento do presidente do banco central norte-americano (FED), Alan Greenspan, ao Comitê de Serviços Financeiros da Câmara não sinalizou para um corte das taxas de juros do país antes da próxima reunião, marcada para 20 de março. Por outro lado, foi afastado o temor de que a queda dos juros seria interrompida devido à alta da inflação em janeiro. O economista sênior para mercados emergentes do BNP Paribas, Ricardo Amorim, é um dos que não crê em uma redução das taxas nessa semana. "Mas não vou ficar surpreso caso o FED corte os juros em 0,5 ponto porcentual antes de 20 de março", afirma. Amorim avalia que os juros nos Estados Unidos, que estão em 5,5% ao ano, devem cair para 4% até junho. Gustavo Loyola, ex-presidente do banco Central (BC) e sócio da Tendências Consultoria, também aposta em um corte de juros nos EUA apenas na próxima reunião do FED. Para Loyola, a redução deve ser de 0,25 ponto porcentual, chegando, até o final de junho, a algo entre 5% e 4,75% ao ano. "Mas essa tendência depende dos próximos números da economia dos EUA. Até agora, os resultados ainda estão muito baseados no desempenho da economia em 2000", explica. Perspectiva de estagflação é precipitada Segundo o economista do BNP Paribas, o cenário de estagflação - recessão aliada à inflação - não deve se confirmar. Ele explica que o PIB norte-americano deve continuar em queda até o terceiro trimestre desse ano, mas deve recuperar-se a partir do quarto trimestre. Além disso, Amorim explica que a inflação deve recuar. "A pressão de alta apresentada em janeiro não é uma tendência", avalia. Para Loyola, o cenário de estagflação também é improvável. Ele acredita que muito do pessimismo que é percebido no mercado hoje é resultado de uma forte baixa das bolsas de Nova York. "Os negócios apresentam oscilação maior a cada dia e isso assusta os analistas, que passam a fazer previsões baseadas nesse mercado e não em fundamentos econômicos", explica o ex-presidente do BC. Vale lembrar que um quadro recessivo é caracterizado por um PIB negativo durante dois trimestres consecutivos. Na análise de Amorim, uma das mais pessimistas, o PIB norte-americano deve encerrar esse ano com 1,4% de crescimento. A média das projeções dos analistas aponta um PIB entre 2% e 2,5% - praticamente a metade do que acumulou em 2000, ou seja, 5%.

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