Juros pagos pelas pessoas físicas inibem o consumo

Os juros cobrados das pessoas físicas pelos bancos subiram expressivamente desde a retomada dos aumentos da taxa básica de juros pelo Banco Central (BC), no primeiro semestre de 2013, segundo pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças e Contabilidade (Anefac). As pessoas físicas parecem ter sido mais oneradas do que as jurídicas - e os efeitos negativos sobre a economia não devem ser ignorados.

O Estado de S.Paulo

15 de janeiro de 2015 | 02h03

Entre março de 2013 e dezembro de 2014, num período em que a taxa Selic aumentou 4,5 pontos porcentuais ao ano, as taxas médias cobradas das pessoas físicas passaram de 87,97% ao ano para 108,16% ao ano (mais 20,19 pontos porcentuais). Ao mesmo tempo, os juros cobrados das pessoas jurídicas avançaram 8,23 pontos porcentuais, de 43,58% ao ano para 51,81% ao ano.

A alta dos juros para pessoas físicas não foi uniforme, sendo mais expressiva nas linhas de cartão de crédito e cheque especial do que nas demais. No cartão, em 21 meses os juros subiram 65,32 pontos porcentuais, de 192,94% ao ano para 258,26% ao ano. No cheque especial, o avanço foi de 34,71 pontos porcentuais, chegando a 178,8% ao ano.

Predominaram, portanto, os aspectos seletivos: os bancos evitam emprestar para tomadores em dificuldades - supostamente, esse é o caso de quem paga taxas elevadíssimas para comprar a crédito no cartão ou abusa da antecipação de recursos do cheque especial.

Mas mesmo o custo dos financiamentos concedidos pelo comércio aumentou 16,43 pontos porcentuais, chegando a 76,53% ao ano. Taxa suficientemente alta para inibir os compradores e constranger sua capacidade de consumo.

O custo do dinheiro é um preço determinante do ritmo da atividade econômica. É o óbvio, mas, para a pessoa física que adquire um auto para se locomover ou para a jurídica que tem de pagar a folha, o empréstimo pode ser a única saída. O capital de giro das companhias custava 1,49% ao mês em março de 2013 e chegou a 2% em dezembro último. Comparativamente à inflação, que nas mesmas datas atingiu 6,59% em 12 meses e 6,41%, a alta do juro foi substancial. Não é estranho que as pessoas jurídicas procurem tomar o mínimo possível de empréstimos.

A taxa Selic em elevação reflete a tentativa do BC de conter a inflação nos limites máximos tolerados pelo regime de metas. Para o ritmo da atividade, contribuiu para derrubar o crescimento do PIB a 2,5% em 2013 e a perto de zero em 2014.

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