Juros para consumidor caem um pouco. BC comemora

A taxa de juros do cheque especial caiu em maio com relação a abril de 178,5% para 177,6% ao ano. O porcentual divulgado hoje peloDepartamento Econômico (Depec) do Banco Central ainda é maior que os 158,4% de maio do ano passado. Os juros do crédito pessoal foram reduzidos, ao mesmo tempo, de 98,7% para 98,1% e as taxas das operações de crédito para a aquisição de bens caíram de 54,3% para 51,3% ao ano. As quedas nas taxas de juros foram divulgadas um dia depois de o governo ter anunciado um conjunto de ações para reduzir o custo dos empréstimos bancários .Os juros dos empréstimos bancários caíram em maio 0,1 ponto percentual com relação a abril - de 57,9% ao ano para 57,8%. O spread bancário (diferencial entre as taxas de captação e aplicação dos recursos) apresentou, ao mesmo tempo, uma elevação de 0,1 ponto porcentual, subindo dos 33,6 pontos porcentuais de abril para 33,7 pontos porcentuais. Os juros dos empréstimos às pessoas jurídicas aumentaram em maio com relação a abril de 39% para 39,1% ao ano, e os das operações contratadas por pessoas físicas caíram de 85,1% para 83,7% ao ano. O spread dos empréstimos às pessoas j urídicas caiu 0,5 ponto porcentual, reduzindo-se de 15,3 pontos porcentuais para 14,8 porcentuais, e os das pessoas físicas subiram de 59,9 pontos porcentuais para 60 pontos porcentuais. BC vê primeiro movimento de queda O chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Altamir Lopes, avaliou que os dados indicam um primeiro movimento de redução das taxas de juros cobradas pelas instituições financeiras ao seus clientes. "Há um primeiro movimento de redução das taxas cobradas tanto das pessoas físicas quanto das pessoas jurídicas ", disse Altamir ao divulgar os dados de maio. Para ele, esse recuo de apenas 0,1 ponto porcentual não é tímido. Ele destacou em particular a queda da taxa de juros dos empréstimos cobrados de pessoas físicas, que caíram em maio de 85,1% para 83,7% ao ano."Essa é uma redução muito razoável", comentou ele. Segundo ele, essa queda dos juros dos empréstimos para pessoas físicas se deve à redução do custo de captação dos bancos, que caiu de 25,2% em abril para 23,7% em maio. Altamir ressaltou que o spread (diferencial entre o custo de captação e taxa cobrada aos clientes pelos bancos) não caiu. À medida que o custo de captação continuar caindo, afirmou, essa redução vai chegar ao spread. "O que se espera é que esse movimento de redução das taxas se alastre e que seja consolidada essa tendência", afirmou o chefe do Depec. Em relação aos juros dos empréstimos cobrados das pessoas jurídicas, que tiveram uma elevação em maio de 0,1 ponto porcentual, passando de 39% ao ano para 39,1% ao ano, o chefe do Depec comentou que houve uma aumento do custo de captação, mas uma redução do spread. "A elevação do custo de captação não foi repassada ao tomador final. Isso é um dado muito importante", disse.Aposta na consolidação do movimento de quedaAltamir Lopes aposta na consolidação do movimento de queda das taxas de juros cobradas nos empréstimos dos bancos em junho. Segundo ele, a redução das taxas verificada no mês de maio para pessoas físicas é "prenúncio" desse movimento. "Esse movimento deve se acentuar em junho", avaliou ele. "A taxa caiu dos empréstimos de pessoa física caiu em todas as modalidades de crédito", destacou ele. O efeito sobre as expectativas futuras da redução de 0,5% da taxa Selic, em junho, e a redução do custo de captação dos bancos devem influenciar esse movimento, afirmou o chefe do Depec. Para ele, o aumento da concorrência entre as instituições financeiras, puxado pela redução dos juros dos bancos públicos, também ajuda nesse processo de queda das taxas. "A concorrência leva à redução da margem de lucro dos bancos", ressaltou Altamir. Na sua avaliação, o debate público sobre taxas de juros cobradas pelos bancos faz que as instituições reavaliem o seu posicionamento em relação às taxas que elas cobram dos demais agentes. Segundo Altamir, o BC tomou as medidas possíveis para a redução do spread bancário. Mas ele reconheceu que, com a instabilidade da economia no ano passado, essas medidas ficaram "na sombra".Taxa de inadimplência fica estável A taxa de inadimplência dos empréstimos bancários ficou estável em 8,8% no mês de maio, segundo informação divulgada há pouco pelo Departamento Econômico (Depec) do Banco Central (BC). Em maio do ano passado, a taxa de inadimplência estava em 9,1%. A inadimplência dos empréstimos às pessoas físicas, por sua vez, caiu de 15,7% para 15,4%, e a das operações com pessoas jurídicas subiu de 4,6% para 4,7%. O prazo médio dos empréstimos bancários aumentou em maio com relação a abril de 215 para 216 dias, com o das operações com pessoas jurídicas tendo aumentado de 166 para 170 dias e o das pessoas físicas tendo se reduzido de 293 para 29 2 dias. O volume de concessões de novos empréstimos caiu em maio com relação a abril de R$ 78,9 bilhões para R$ 78,8 bilhões.

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