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Juros, por enquanto, ficam sem aumento

A chegada da primeira parcela do 13.º salário e a proximidade do Natal podem favorecer o consumidor. Mas ele não está livre do risco de um novo aumento dos juros. De olho nesse dinheiro e preocupados com o desaquecimento da economia, bancos, financeiras e redes de varejo não devem repassar, por ora, a elevação de um ponto porcentual da taxa básica de juro, definida pelo Banco Central quarta-feira. Mas os especialistas não descartam a possibilidade de encarecimento do crédito. Para Marcel Solimeo, superintendente de economia da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), o comércio, principalmente, deve absorver a alta. "Com as vendas fracas, é improvável que haja repasse para o consumidor final, justamente agora que as pessoas vão começar a fazer as compras de Natal." Opinião idêntica tem o presidente da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Ricardo Malcon. Mas ele acredita que, tão logo se aqueça a demanda, o mercado passará a reajustar os juros. Malcon explica que hoje as instituições financeiras estão trabalhando com um dinheiro captado antes da alta da Selic. "Quando o dinheiro ´velho´ acabar e a captação ocorrer sob juro de 22% ao ano, provavelmente haverá repasse." O economista-chefe da Federação Brasileira das Associações de Bancos (Febraban), Roberto Luis Prosper, lembra que a matéria-prima dos bancos é o dinheiro e, quando há aumento no custo, a tendência é que o produto chegue mais caro ao cliente "Mas a decisão de aumentar ou não o juro vai depender de cada instituição." Até sexta-feira, porém, nenhum banco ou financeira havia realinhado as taxas e tampouco indicado possível alteração. Miguel José Ribeiro de Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), lembra que os juros cobrados já estão muito elevados (ver tabela). A decisão de não empurrar para o tomador de dinheiro a última alta da Selic não significa que o consumidor esteja sendo poupado. Oliveira comenta que, ao longo deste ano, os bancos já vêm adotando medidas preventivas. "Gradativamente, os bancos têm encurtado prazo, aumentado taxas e dificultado a concessão de crédito." Para o consumidor que está aguardando o 13.º salário para dar início às compras de fim de ano, Oliveira avisa que é preciso estar atento. "Desde 1994, nos acostumamos com a estabilidade, mas de maio para cá houve um desarranjo na economia. Como as mudanças não foram homogêneas e as condições de mercado são distintas, é preciso pesquisar antes de fechar qualquer negócio."

Agencia Estado,

25 de novembro de 2002 | 14h18

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