Juros reais devem travar investimento no País

Os juros reais - juros nominais descontada a inflação - elevados travam o crescimento do nível de investimentos do País. A avaliação é do presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), Antônio Corrêa de Lacerda.O presidente da Sobeet indica que há investimentos em curso porque existem previsões de crescimento da demanda e, provavelmente, há expectativa dentre os empresários de que os juros não ficarão indefinidamente tão altos. Lacerda, resume, contudo, que com este patamar de juros real, em torno de 13%, a "economia está andando com o freio de mão puxado".A Confederação Nacional da Indústria (CNI), que já trabalha na revisão de suas projeções para este ano, a taxa de juros real ao redor de 13% (Selic menos inflação prevista para 12 meses) "vai arrefecer o nível de atividade mais cedo ou mais tarde". O coordenador de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, explica que na virada do ano a entidade trabalhava com a expectativa de recuo dos juros a partir de março, o que não ocorreu.Para Lacerda, os investimentos estão subavaliados na economia, justamente por conta dos juros altos. Ele acha que uma taxa de investimentos ao redor de 20%, como a estimada por economistas para o Brasil, é baixa e argumenta que o juro real alto limita a expansão do investimento e da própria economia.Além disso, prejudica o que chama de "custo de oportunidade". O presidente da Sobeet explica que este "custo" reflete a comparação que o empresário faz entre o que teria de retorno investindo na produção e aplicando no mercado financeiro. "O juro alto é o convite à aplicação financeira e um desestímulo às atividades produtivas", afirma.Ipea faz previsão para investimentoO Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) projeta, para 2005, um crescimento do investimento de 8% e uma taxa de investimentos perto de 20,5% sobre o PIB. Estas projeções não foram revistas depois da alta de ontem dos juros. Segundo a economista do Ipe,a Mérida Herásme, o cenário para o ano já leva em consideração a perspectiva do aperto monetário."O ideal seriam juros mais baixos, é um fator que favorece (o investimento). Mas também não adianta juro baixo se não existe confiança no retorno e na economia. O investidor sempre vai olhar o retorno. Quando acha que vai ter retorno no médio prazo, cobrir os custos, o produto vai ter saída, não atrapalha", disse a economista. "Tem gente investindo porque acha que vale a pena, mas o ideal seriam juros mais baixos", afirmou Mérida.

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