Juros recuam com chance de Selic ficar baixa por mais tempo

Cenário:

MÁRCIO RODRIGUES , O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2012 | 03h09

A percepção de que a taxa de juros básica do Brasil, a Selic, pode ficar em patamares baixos por um período de tempo maior que o originalmente computado nos contratos de juros futuros fez o mercado reduzir as taxas de prazos mais longos, um dia após um movimento de alta gerado pelos dados positivos de vendas no varejo em junho. Por enquanto, os investidores seguem convictos de que, neste mês, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduzirá a Selic de 8,00% para 7,50%. Porém, no caso da reunião de outubro do comitê, as apostas estão divididas entre manutenção e corte adicional de 0,25 ponto porcentual. O grupo que espera a queda adicional, no entanto, perdeu força com a melhora recente das expectativas em relação ao cenário econômico doméstico nos últimos dias, reforçada ontem pela divulgação do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que avançou 0,75% em junho ante maio, em linha com as previsões.

No câmbio, o dólar, ainda que tardiamente, também foi contaminado pela melhora das avaliações sobre o cenário interno, que pode incrementar os fluxos de recursos para o País, e a cotação da moeda americana recuou 0,20% ante o real no mercado à vista de balcão, para R$ 2,0150. O movimento contrariou o comportamento visto no exterior, onde prevaleceu a alta do dólar em relação ao euro e a outras moedas atreladas aos preços das commodities. A queda das cotações da divisa norte-americana ante o real só não é maior porque os investidores seguem com a convicção de que o Banco Central e o governo estão atentos ao câmbio e dispostos a intervir, se considerarem necessário, para manter os atuais níveis, tidos como confortáveis para a atividade e para a inflação.

Na Bovespa, com o fim de semana pela frente, os investidores resolveram embolsar parte dos ganhos recentes e venderam ações, colocando a trajetória do Ibovespa no sentido inverso ao que prevaleceu nos principais índices internacionais. Ao final da sessão, a perda ficou em 0,61%, com o índice em 59.082 pontos. Já as ações da Petrobrás subiram 0,27% a ON e 0,42% a PN. No acumulado da semana, a Bolsa teve queda de 0,33% e, no mês, registra valorização de 5,32%. Os papéis da Vale caíram. A ação ON perdeu 3,12% e o PNA, 2,81%.

Os principais índices de ações de Nova York e Europa terminaram a sexta-feira em alta, sob a influência de indicadores norte-americanos positivos e de declarações da chanceler alemã, Angela Merkel, de que fará tudo para defender o euro.

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