Juros se elevam pouco e o impacto é limitado

Entre junho e julho, os juros médios cobrados pelos bancos das pessoas físicas e jurídicas subiram ligeiramente, em porcentuais de 0,03% a 0,04% ao mês, informa a Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). A leve alta tem várias explicações, mas, em especial, uma demanda de crédito relativamente baixa, num ambiente de pouco crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

O Estado de S.Paulo

14 de agosto de 2013 | 02h05

Em média, o juro mensal cobrado das pessoas físicas passou de 5,45% ao mês, em junho, para 5,48%, em julho (o que corresponde a 89,69% ao ano). Comparada à taxa média de dois anos atrás, de 121,21% ao ano, a redução foi expressiva. Mas o nível ainda é muito alto, numa fase em que o rendimento real dos tomadores passou a evoluir mais lentamente e as perspectivas de contratação de mão de obra são desfavoráveis.

A diminuição dos índices de inadimplência, divulgados ontem pela Serasa-Experian, de 3,5%, entre junho e julho, e de 5%, em relação a julho de 2012, favorece a modicidade das taxas de juros. Mas a intensidade da queda dos atrasos declinou.

Entre abril e julho, a taxa básica de juros aumentou de 7,25% ao ano para 8,5% ao ano - e na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), no final deste mês, é esperada uma nova elevação, conforme o prognóstico dominante entre os analistas. A declaração de um diretor do Banco Central, Carlos Hamilton, anteontem, de que a queda do IPCA em julho foi episódica, reforçou as expectativas de que não está encerrado o ciclo de elevação da taxa Selic.

Quanto ao efeito do aumento da taxa Selic - que pressiona o custo de captação de recursos pelos bancos - sobre o custo dos empréstimos, poderá ser inferior àquele registrado em outros períodos de elevação do juro básico.

De fato, o juro mensal do Crédito Direto ao Consumidor (CDC) evoluiu, entre junho e julho, de apenas 1,53% para 1,58%, segundo a Anefac. O custo dos empréstimos pessoais passou de 3,04% para 3,08%. E os juros do comércio aumentaram de 4,08% ao mês para 4,1%.

O comportamento do varejo no Dia dos Pais, comemorado domingo passado, ajuda a explicar o avanço módico dos juros: as vendas cresceram apenas entre 3% e 3,7%, em relação a 2012, segundo reportagem de Márcia de Chiara, no Estado de ontem. São taxas de crescimento pequenas - as menores desde 2009, quando o País entrou em recessão.

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