Juros só caem em setembro, prevê economista

Ex-diretor do Banco Central, o economista Carlos Thadeu de Freitas não prevê uma nova redução na taxa básica de juros (a Selic) antes do mês de setembro. E justifica sua previsão sob o argumento de que uma queda agora propiciaria uma fuga para o dólar dos investidores. Entrevistado no programa Conta Corrente, da Globo News, Freitas também defendeu uma alteração do centro da meta inflacionária para 6,5%, com o que o Banco Central estaria demonstrando mais transparência em sua atuação. "O Banco Central tem uma meta central de inflação de 5,5%. Essa meta é inviável já faz alguns meses. Ele insistiu em mantê-la, mas agora já deu sinais que pode acomodar um pouco essa meta, passando talvez de 5,5% para 6,5%. Mas não deu sinais ainda cem por cento; deu certos sinais. Então, o que acontece? Tem gente que acha que o Banco Central ainda olha para os 5,5%, e outros que acham que já olha para 6,5%. Isso gera incertezas, e incertezas geram taxas de juros futuras mais longas."Crescimento do PIBCarlos Thadeu de Freitas também não mostrou-se otimista quanto a um crescimento do PIB este ano acima de 3,5%. "O PIB não vai crescer tanto como muitos estão dizendo. Vai crescer, sim, na faixa de 2,9%, 3,5%." Para ele, a economia está hoje andando mais devagar e as taxas de juros cobradas pelos bancos estão mais altas. "Se o Banco Central der um sinal mais nítido, transparente, de que a meta central não é mais 5,5%, e sim 6,5%, porque surgiu uma série de coisas como a alta dos preços do petróleo, então isso vai facilitar a diminuir um pouco esse grau que nós temos hoje de dúvidas."Dólar e jurosO ex-diretor do Banco Central deixou clara sua crença de que os juros básicos dificilmente cairão antes de setembro. "Hoje, nós temos certeza de que o Banco Central não vai baixar a taxa de juros. Outra coisa, nós temos hoje dinheiro sobrando; temos mais de cem bilhões (de reais) rolados diariamente no mercado, porque houve um erro estratégico do Tesouro Nacional, que quis colocar papéis (de vencimento) longos; alongar a dívida pública. Não deu certo, como nunca deu certo no Brasil alongar a dívida artificialmente."E explicou que, com 100 bilhões rolando diariamente no mercado, impede o governo de baixar facilmente a taxa de juros. "Tem de acertar bastante, porque se errar um pouco na taxa de juros o dinheiro vai todo para o dólar, um ativo real."

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