Juros sobem como nova alta do dólar e resultado do varejo

Taxas embutem possível decisão do Banco Central de acelerar o ritmo de alta da Selic na reunião do fim do mês

Márcio Rodrigues, da Agência Estado,

15 de maio de 2013 | 17h00

As taxas futuras de juros tiveram mais um dia de alta nesta quarta-feira, 15, influenciadas por fatores domésticos e externos. O resultado das vendas varejistas do País em março veio melhor do que o esperado e ajudou a sustentar as taxas mais curtas, somado à influência negativa da inflação sobre as vendas dos supermercados. Enquanto isso, um novo pregão de alta do dólar em um cenário de preços já deteriorados também fez com que os juros longos também subissem, mantendo a inclinação da curva a termo. Nesse ambiente, o otimismo que prevaleceu durante grande parte da sessão nos mercados internacionais, com um dado do setor de moradias norte-americano melhor do que as projeções, reforçou o comportamento dos juros futuros. No fim do dia, houve uma desaceleração dos ativos externos que também aliviou o avanço das taxas longas.

Ao término da negociação regular na BM&F, o contrato de DI com vencimento em julho de 2013 (406.295 contratos) marcava 7,48%, igual ao ajuste anterior. O DI com vencimento em janeiro de 2014 (481.225 contratos) apontava 7,98%, de 7,96% ontem. O juro com vencimento em janeiro de 2015 (433.115 contratos) indicava 8,43%, de 8,41% na véspera. Entre os longos, o contrato com vencimento em janeiro de 2017 (259.195 contratos) marcava 9,13%, ante 9,11% ontem, e o DI para janeiro de 2021 (11.520 contratos) estava em 9,80%, de 9,79% no ajuste anterior.

As taxas já embutem uma chance entre 70% e 80% de que o Banco Central brasileiro acelere o ritmo de alta da Selic, para 0,50 ponto porcentual, na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que ocorre nos dias 28 e 29 deste mês. Esse avanço das apostas em um BC mais firme está relacionada à recente conjuntura global e doméstica.

Segundo um profissional da área de renda fixa, tanto o governo quanto o BC trabalhavam com uma inflação perto de zero a partir de maio, sobretudo devido à desaceleração dos alimentos. Mas não é isso que se vê, por ora, nos recentes índices de preços. Como fator adicional de pressão sobre os preços, aparece a valorização do dólar em âmbito global, incluindo o real. Hoje, a moeda dos EUA terminou cotada a R$ 2,0260 no mercado à vista de balcão (+0,50%).

Entre os dados domésticos, as vendas do varejo brasileiro no conceito restrito caíram 0,1% em março ante fevereiro, sendo que a projeção era de queda de 0,4%, o que favoreceu o avanço das taxas mais curtas. Chamou a atenção, no entanto, a queda de 2,1%, em março ante fevereiro, das vendas no segmento de hipermercados e supermercados, produtos alimentícios e bebidas. Esse foi o pior resultado desde fevereiro de 2008 (-2,2%). Segundo o próprio IBGE, a forte alta da inflação de alimentos no domicílio influenciou negativamente o resultado de vendas dos hipermercados e supermercados brasileiros em março.

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