Juros sobem e governo tenta alongar prazo

Dois fatores pesaram na variação dos juros hoje. Primeiramente, a queda da Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova Iorque-, de 2,32%, e o cenário de instabilidade no exterior (veja mais informações sobre o cenário internacional e a bolsa no link abaixo) levaram os investidores a ter cautela no mercado de juros. Além disso, a inesperada queda na taxa básica de juros Selic de 18,50% para 17,50%, com viés de baixa, fez com que as cotações recuassem excessivamente num primeiro momento, na quarta-feira.Dados esses fatores, houve uma elevação dos juros prefixados de contratos de swap, com base de 252 dias úteis, o melhor indicador para taxas de juros de longo prazo, de 18,47% ao ano na quarta-feira, para 18,92% ao ano.Mas o dia reservou uma novidade para o mercado de juros: o edital do Tesouro para o leilão de títulos públicos da próxima terça-feira, quando voltarão a ser ofertados títulos prefixados de um ano. O Tesouro, alonga, portanto, o prazo das LTNs, que foi de seis meses nos últimos leilões, e agora volta para doze meses, contando com a queda da Selic para atrair os investidores para o papel de prazo mais longo. Como o lote-teste é pequeno (500 mil papéis), o leilão realmente deve ter uma boa procura. O secretário-adjunto do Tesouro Nacional, Rubens Sardenberg, declarou que estratégia do governo é continuar o alongamento dos prazos dos títulos prefixados, mas de forma gradual, à medida que for surgindo espaço. Essa decisão surgiu, segundo ele, a partir da redução da Selic e do bom desempenho dos indicadores, como índices de inflação, ajuste fiscal, os resultados dos últimos leilões e as taxas no mercado futuro de juros. Além disso, Sardenberg acredita que o país poderá ser influenciado pelo cenário internacional, mas está fortalecido em sua tendência de crescimento, e tem mais independência em relação aos fenômenos externos.

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