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Juros sobem e se ajustam a tom mais conservador do BC

Cenário:

MÁRCIO RODRIGUES , O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2012 | 03h05

No dia seguinte à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que reduziu a taxa básica de juros (Selic) para 7,5% ao ano, o tom mais conservador utilizado para justificar o corte fez com que os juros futuros reagissem em alta nos vencimentos de prazos curtos e intermediários. As taxas de longo prazo, no entanto, mostraram queda, refletindo o declínio dos índices acionários no exterior e a percepção de que uma política monetária menos expansionista agora irá demandar ajustes menores no futuro. Assim, a taxa para janeiro de 2013 ficou em 7,25%, de 7,21% anteriormente. Já a taxa do contrato para janeiro de 2014 marcou 7,83%, ante 7,75%. Entre os juros de longo prazo, janeiro de 2017 indicou 9,07%, de 9,14% na quarta-feira, enquanto janeiro de 2021 apontou mínima de 9,64%, ante 9,75% na véspera.

No mercado de câmbio, o dólar caiu 0,15%, cotado a R$ 2,0460 nesta quinta-feira. Esta é a primeira vez em que a moeda norte-americana encerra a sessão de negócios com sinal negativo desde 21 de agosto, quando o Banco Central retomou os leilões de swap cambial reverso, operação equivalente à compra de dólares no mercado futuro. A aproximação do vencimento de mais de US$ 4 bilhões em swaps tradicionais e a briga pela formação da taxa oficial de câmbio (Ptax) de final de mês, que será o parâmetro para a liquidação desses contratos e do dólar futuro de setembro, impediram uma queda maior da moeda.

No mercado de renda variável, o Ibovespa acompanhou o declínio das bolsas no exterior e perdeu 0,20%, para fechar aos 57.256,43 pontos. A Bolsa está cada vez mais perto de anular os ganhos no ano, que agora estão reduzidos a 0,89%. Alimentaram a aversão ao risco os dados desapontadores das economias da zona do euro e dos Estados Unidos, somados à afirmação do Fundo Monetário Internacional (FMI) de que não recebeu pedido da Espanha por ajuda financeira.

Além disso, prosseguiu a cautela dos investidores com o discurso do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, no simpósio econômico em Jackson Hole, hoje. Os investidores esperam que, no mínimo, Bernanke reafirme a disposição do Fed em implementar novas medidas de incentivo à economia, se achar necessário. E se isso não ocorrer, pode desencadear-se uma reação negativa dos mercados. Também é grande a expectativa em relação à reunião do Banco Central Europeu (BCE), na próxima semana.

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