Juros subiram para garantir meta de inflação, diz Copom

A Ata do Copom, sobre a reunião realizada em 17 e 18 de maio de 2005, diz que a elevação da taxa de juros de 19,5% para 19,75% foi decidida devido à avaliação de que a taxa anterior "não proporcionaria condições adequadas para assegurar a convergência da inflação para a trajetória de metas". A Ata diz que o Copom analisará o "cenário prospectivo" da inflação, até sua próxima reunião, para definir os próximos passos de política monetária. A ata reafirmou que "é necessário que a autoridade monetária esteja pronta a adequar às circunstâncias o ritmo e a magnitude do processo de ajuste da taxa de juros básica, caso venham a exacerbar-se os fatores de risco acompanhados pelo Comitê". A ata reafirma ainda que a política monetária deve "manter-se especialmente vigilante para evitar que pressões detectadas em horizontes mais curtos se propaguem para horizontes mais longos". Essa postura deve ser adotada, segundo "a despeito da consideração pertinente de que a política monetária atua com defasagem sobre a atividade e sobre a inflação, e de que os efeitos do processo de ajuste da taxa de juros básica iniciado em setembro de 2004 ainda não se fizeram sentir integralmente". O Copom afirma ainda que a média das expectativas coletadas pela Gerin, para a variação do IPCA em 2005, deteriorou-se entre a reunião de abril e a de maio, passando de 6,10% para 6,39%. O crescimento marginal das expectativas, segundo a nota, deveu-se a reajustes de "alguns preços administrados em valor acima do esperado, às expectativas de inflação no segundo trimestre e à evolução menos favorável do cenário internacional". Expectativas de inflação para os próximos 12 meses A Ata de maio apontou ainda uma deterioração nas expectativas de inflação para os 12 meses à frente. Mas o documento observa que a deterioração ocorreu "aproximadamente na mesma medida em que foram revistas as taxas esperadas para o segundo trimestre de 2005". Isso sugere, segundo a ata, "que a postura monetária mais restritiva tem evitado que as pressões inflacionárias de curto prazo se propaguem para horizontes mais longos". O documento diz ainda que "Essa indicação de ancoragem das expectativas de inflação é corroborada pela estabilidade da inflação esperada para o segundo semestre de 2005 e para o ano de 2006". Segundo a ata, a projeção de inflação no cenário de referência (que pressupõe manutenção da taxa Selic em 19,5% ao ano e taxa de câmbio em R$ 2,50 ao longo do período da projeção) também elevou-se em relação à reunião de abril, e ficou acima da meta de 5,1% prevista para este ano. Câmbio A ata do copom afirma ainda que a deterioração do cenário de referência foi decorrente da "supresa da inflação de abril, que mais que compensou o efeito da valorização cambial". O documento diz ainda que as projeções baseadas no cenário de mercado (que incorpora projeções de câmbio e Selic esperados pelo mercado no período anterior à reunião do Copom) também se elevaram em relação à reunião anterior, e ficaram acima do cenário de referência. Maio de 2006 Em relação às projeções para 2006, a ata do Copom diz que não houve alteração no cenário de referência, "que permaneceu portanto abaixo do centro da meta estabelecida pelo conselho Monetário Nacional (CMN) para o próximo ano. Mas o documento observa que "no cenário de mercado, houve ligeiro aumento na projeção, que se manteve acima do centro da meta". A Ata do Copom afirma ainda que os períodos de doze meses que se encerram em 2006 mostram-se mais sensíveis às decisões de política monetária que os do ano calendário de 2005. A projeção do cenário de referência para os doze meses que se encerram em março de 2006, "encontra-se acima do seu valor na trajetória de metas obtida pela interpolação do objetivo de inflação de 5,1% para 2005 e da meta de 4,5% estabelecida pelo CMN para 2006". A ata diz que essa projeção também fica acima da que foi feita na reunião de abril. Diagnóstico A Ata do Copom de maio diz que o Comitê reafirma o diagnóstico das atas anteriores, segundo o qual "os efeitos do ciclo de aumento da taxa de juros básica iniciado em setembro de 2004 já se fazem sentir tanto nos resultados da inflação do primeiro trimestre do ano como nas projeções de inflação para horizontes mais longos realizadas pelo Banco Central e pelos analistas do setor privado". A ata diz também que "a atividade econômica continua em expansão, mas a um ritmo menor e mais condizente com as condições de oferta, não obstante o aumento recente na utilização da capacidade instalada na indústria, de modo a não resultar em pressões significativas sobre a inflação". O Copom avalia ainda que "houve uma melhora no cenário externo e uma diminuição na defasagem do preço doméstico da gasolina, em relação ao preço internacional". Combustíveis O Comitê de Política Monetária manteve em reunião da semana passada a expectativa de que os combustíveis não terão reajuste neste ano. "No entanto, é importante assinalar que, enquanto os preços internacionais mantiverem oscilações de grande amplitude, esse elemento continua a representar risco, ainda que menor do que no mês passado (abril), para a trajetória futura da inflação", destaca a ata da última reunião do Copom. O documento ainda ressalta que a queda dos preços internacionais do petróleo aumentaram a probabilidade de confirmação do cenário de reajuste zero dos combustíveis neste ano. Riscos Mesmo reconhecendo a existência de resultados da política monetária sobre a atividade econômica, e a melhoria no cenário internacional, o Copom avaliou, em sua reunião de maio, que os riscos para a inflação foram aumentados por alguns fatores, a exemplo do que ocorreu em março e abril. Esses riscos afetam a busca de convergência da inflação para a trajetória de metas. "Esses riscos estão associados à persistência de focos de pressão na inflação corrente, que contaminaram a inflação de abril, e que fizeram com que se deteriorassem as expectativas para 2005 e provocaram a permanência dos núcleos em níveis elevados", diz a ata divulgada hoje. A ata diz ainda que "nesse ambiente, uma maior incerteza determinada pelo aumento da inflação corrente e dos núcleos, que deve reverter-se em resposta aos estímulos da política monetária, poderia afetar de forma mais duradoura as expectativas de inflação. Por isso, cabe à política monetária ficar "vigilante", diz a ata. Balança A ata diz que o superávit comercial de abril reforçou expectativas mais favoráveis que as anteriores para o resultado fechado do ano. "Com exportações crescendo em ritmo mais forte que as importações, o saldo comercial ampliou-se para US$ 37,8 bilhões nos últimos doze meses", diz o texto. O valor, de acordo com o documento divulgado pelo BC, é 38,1% maior que o resultado alcançado em doze meses até abril de 2004. Na avaliação do Copom, a demanda externa continuou a contribuir para a expansão da economia nos últimos meses. Indústria A Ata do Copom de maio afirma ainda que os indicadores "sinalizam crescimento da produção industrial em abril". A exemplo do que fez nas reuniões passadas, o Copom avalia que a economia continua em expansão, mas a um ritmo menos intenso que o de 2004. O Comitê observa que a produção industrial em março deste ano cresceu 1,5% em termos dessazonalizados, e avalia que "a maior expansão registrada em março pode estar refletindo a normalização de fatores que contribuíram para o desempenho mais fraco em fevereiro, como o atraso da colheita de cana-de-açúcar e a redução na carga processada de petróleo, e também na correção de flutuações inerentes a séries submetidas a procedimentos de dessazonalização na presença de feriados móveis". Preços administrados As projeções do Comitê de Política Monetária de aumento dos preços administrados neste ano subiram de 7,2% para 7,3%. O Copom, ao mesmo tempo, manteve a previsão de aumento de apenas 5,1% em 2006, de acordo com ata de sua última reunião divulgada na manhã de hoje pelo Banco Central. As estimativas de reajuste das tarifas de telefonia fixa em 2005 foram elevadas, ao mesmo tempo, de 7,9% para 8,6%. Em contrapartida, as previsões de aumento da energia elétrica residencial continuaram estáveis em 10,8%.

Agencia Estado,

27 Maio 2005 | 11h23

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