Juros têm alta discreta com IGP-DI, dados da CNI e Nova York

Variação pegou o mercado no contrapé, mas não altera a percepção de que o cenário inflacionário é benigno

Denise Abarca, da Agência Estado,

09 de setembro de 2009 | 16h57

Os juros futuros encerraram nesta quarta-feira, 9, levemente pressionados nos contratos de médio e longo prazos, enquanto os curtos cederam. Ao término da negociação normal da BM&F, o juro pós-fixado (DI) janeiro de 2011 (133.830 contratos) projetava 9,73%, de 9,71% no ajuste e 9,72% no fechamento desta última terça-feira. O DI janeiro de 2012 (57.580 contratos) subia a 10,99%, de 10,96% e 10,97% no fechamento e ajuste anteriores. Já o DI julho de 2010 (52.975 contratos) estava em 8,91%, ante 8,92% na terça-feira.

 

A pressão sobre os contratos mais líquidos foi determinada, segundo analistas, pelo IGP-DI de agosto acima das projeções, pelos números da CNI e pelo viés positivo do cenário externo. A disposição para reduzir posições vendidas foi vista logo na abertura dos negócios, a partir do anúncio da FGV de que o IGP-DI em agosto ficou em +0,09%, além do teto das estimativas (+0,03%), ante deflação de 0,64% em julho.

 

A variação pegou o mercado no contrapé, o que exigiu ajuste de posições, mas não altera a percepção de que o cenário inflacionário é benigno. "A chance de encerramos o ano com queda nos IGPs é boa. Não vejo grandes problemas para se fechar o ano com taxa negativa", disse o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros. "Parece que estamos saindo da deflação, mas estamos em uma situação tranquila", completou. Além disso, os profissionais destacaram como fator favorável a desaceleração do IPC-DI, de 0,34% em julho para 0,20% em agosto. O núcleo do IPC-DI de agosto, que subiu 0,19%, após avançar 0,29% em julho, é o mais baixo desde fevereiro de 2008, quando avançou 0,15%, segundo a FGV.

 

Além do IGP-DI, o noticiário trouxe ainda mais dois índices de inflação. O IPC-Fipe da primeira quadrissemana de setembro, de 0,47%, ficou próximo do índice fechado de agosto (0,48%), e em linha com a mediana das estimativas. O Dieese informou que o ICV de agosto desacelerou de 0,49% em julho para 0,30% em agosto.

 

Ainda pela manhã, os números da CNI em julho acentuaram um pouco mais a inclinação positiva da curva, ao mostrar evolução nas vendas, no emprego e no uso da capacidade instalada. Pelo critério dessazonalizado na margem, as vendas avançaram 0,4%, o Nuci subiu de 79,7% para 79,9% e o número de horas trabalhadas ficou praticamente estável (+0,01%). A massa salarial real subiu 3,7% em julho ante junho.

 

No front externo, as ações e o petróleo seguiram com ganhos, mas a fraqueza no consumo apontada pelo Livro Bege do Federal Reserve, divulgado agora à tarde, reduziu o ímpeto das bolsas. Perto das 16 horas, o avanço do Dow Jones arrefecia a 0,13% e o do S&P 500, a 0,35%. Segundo o relatório, a economia norte-americana continuou se estabilizando entre julho e agosto, mas os fracos gastos de consumo sugerem uma recuperação contida da recessão, conforme apurou o editor da área de internacional Gustavo Nicoletta.

 

Dada a alta comedida das taxas sem o respaldo de um volume significativo, o mercado não aposta que o movimento vá recrudescer amanhã, mesmo porque há uma expectativa positiva para a agenda, que traz a ata do Copom e o IPCA de agosto. A partir do comunicado da reunião da semana passada, o documento do Banco Central não deve trazer surpresas e reafirmar o quadro tranquilo para a inflação, dizem analistas. Para alguns deles, de qualquer maneira, a reiteração deste cenário levará o mercado a devolver prêmios, especialmente se o IPCA vier abaixo de 0,20%. Em julho, o índice ficou em 0,24%.

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