Justiça absolve ex-diretor financeiro da Sadia

O executivo Adriano Ferreira foi considerado inocente das acusações de perdas de R$ 2,48 bilhões em derivativos; a empresa pode recorrer

Patrícia Cançado, Raquel Landim, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2010 | 00h00

Processado pela Sadia pelas perdas de R$ 2,48 bilhões em derivativos no auge da crise financeira global, o executivo Adriano Ferreira foi inocentado ontem pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. A empresa ainda pode recorrer.

Ex-diretor financeiro da Sadia, Ferreira foi acusado de tomar as decisões que resultaram nos prejuízos bilionários sem conhecimento do Conselho de Administração da companhia. Por dois votos a um, os juízes entenderam que o executivo não agiu sozinho.

Os juízes nem chegaram a votar o mérito da questão. Foi uma decisão baseada em um argumento técnico. No começo de abril de 2009, o Conselho de Administração decidiu processar Ferreira com base num relatório da auditoria BDO Trevisan, que considerou o executivo o único responsável.

No entanto, poucos dias depois, em uma assembleia geral ordinária, a Sadia aprovou as contas de 2008, um procedimento formal. O advogado de Ferreira argumentou que, ao dar esse aval, a empresa também admitia que estava ciente das manobras financeiras.

Durante o julgamento ontem, no entanto, o desembargador Ênio Zulani se pronunciou sobre o caso. Segundo fontes que acompanharam o julgamento, Zulani disse que estudou o tema derivativos. Ele concluiu que, como se tratava de um investimento de alto risco, utilizado pela empresa há muito tempo, não era possível que as pessoas a quem Ferreira se reportava desconhecessem o problema.

A Sadia teve prejuízos que quase a levaram à falência. Os derivativos cambiais são instrumentos usados para proteger as empresas contra as oscilações bruscas do dólar. Mas, antes da crise, as empresas utilizaram os derivativos de uma forma especulativa para alavancarem seus lucros.

Procurada, a Sadia não se manifestou. A empresa ainda pode recorrer ao Superior Tribunal de Justiça. Antes da decisão de ontem, o juiz de primeira instância havia decidido a favor da Sadia, mas Ferreira recorreu.

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