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Justiça acata denúncia contra 16 no caso Cisco

Acusados começarão a ser interrogados no dia 5 de dezembro; outro inquérito vai apurar doação ao PT

Rodrigo Pereira, O Estadao de S.Paulo

23 de novembro de 2007 | 00h00

A Justiça Federal acatou na quarta-feira as denúncias do Ministério Público Federal no caso Cisco e marcou para 5 de dezembro os primeiros interrogatórios dos dois processos que apuram o esquema que teria causado prejuízo de R$ 1,5 bilhão ao Tesouro em fraudes no comércio exterior. Ao todo, 16 dos 40 presos pela Polícia Federal no dia 15 de outubro, na Operação Persona, tornaram-se réus nos processos de importação fraudulenta de produtos de informática e telecomunicações, supostamente capitaneado pela Cisco Systems e empresas a ela ligadas. A denúncia foi acolhida pelo juiz federal substituto Luiz Renato Pacheco Chaves de Oliveira, da 4ª Vara Federal Criminal de São Paulo. Na sentença, o juiz justifica a decisão com o argumento de que "há indícios suficientes da autoria e materialidade" do delito. Os procuradores da República Priscila Screiner e Marcos José Gomes Corrêa, autores das denúncias, relatam 16 importações fraudulentas entre 2006 e 2007 pela Cisco, a sua distribuidora, Mude, e toda cadeia de empresas "laranjas" utilizadas na fraude. A acusação usa essas importações, nas quais foram utilizadas 22 notas fiscais falsas num valor de US$ 370 milhões, como exemplo do funcionamento do esquema."Há fatos concretos referentes às operações ilegítimas, bem como a participação de cada denunciado nos crimes lá apontados", afirma o juiz.A doação de R$ 500 mil ao PT pela ABC Industrial e Nacional Distribuidora de Eletrônicos será apurada em outro inquérito. A empresa teria sido usada para o aporte de dinheiro em troca de um suposto favorecimento da distribuidora Damovo, braço da Cisco, em licitação na Caixa Econômica Federal, fato negado pela instituição.O ex-presidente da Cisco no Brasil Carlos Roberto Carnevali será o primeiro réu a depor, no dia 5 de dezembro. No mesmo dia, serão interrogados o presidente da Mude, Moacyr Alves Sampaio, e os diretores da distribuidora José Roberto Pernomian Rodrigues, Hélio Bennetti Pedreira e Fernando Machado Grecco - todos estão presos preventivamente.No dia 6, será a vez do preso Marcelo Naoki Ikeda e dos funcionários da Mude Marcílio Palhares Lemos, Reinaldo de Paiva Grillo, Gustavo Henrique Castellari Procópio e Everaldo Batista Silva - que respondem ao processo em liberdade. No dia 7, o juiz interrogará Leandro Marques da Silva (funcionário da Mude, em liberdade), o dono da empresa responsável pelo desembaraço das mercadorias no Brasil, Paulo Roberto Moreira (preso), Ernani Bertino Maciel (preso), sócio de Cid Guardia Filho, o Kiko, nas empresas laranjas usadas para driblar o Fisco, e Marcos Zenatti. Kiko e José Carlos Mendes Pires ainda não têm data para depor.

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