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Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Justiça aceita venda da Varig para trabalhadores por R$ 1 bi

O juiz Luiz Roberto Ayoub, da 8ª Vara Empresarial, homologou hoje a compra da Varig pelo Trabalhadores do Grupo Varig (TGV), que reúne associações de funcionários da empresa. Na verdade, este foi um ultimato da Justiça para que a Empresa Nova Varig (NV), criada para representar o TGV no leilão da companhia, consolide a operação. Isso porque, até sexta-feira, o TGV deverá depositar a primeira parcela, de US$ 75 milhões (cerca de R$ 169 milhões) para efetivar a compra. Caso contrário, será imediatamente programado um novo leilão.O coordenador do TGV, Márcio Marsillac, afirmou que, se não houver tempo hábil para que os investidores que fazem parte do consórcio NV liberem os recursos necessários para o pagamento do sinal de US$ 75 milhões até sexta-feira, o TGV negociará um empréstimo-ponte com o Banco nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Amanhã, o TGV deverá ir ao BNDES negociar a possibilidade de apresentar as garantias para esse empréstimo-ponte. "Pode não haver tempo suficiente. Se isso ocorrer, nós queremos levar as garantias ao BNDES para que monetizem os recursos necessários", explicou.Ayoub não revelou quem é o investidor por trás do consórcio NV, já que o TGV não tem recursos capazes de honrar o negócio. Entretanto, frisou que o TGV prestou todos os esclarecimentos exigidos pela Justiça. Além disso, ele revelou que esteve hoje em reunião com os dois investidores que participarão do consórcio NV Participações, vencedor do leilão da Varig. "A nosso juízo, foram satisfeitas as demandas. Torcemos agora para que esse grupo ´maravilhoso´ dessa empresa ´maravilhosa´ consiga salvar a Varig", afirmou.As debêntures, títulos que seriam usados como parte do pagamento do TGV pela companhia aérea, serão substituídas por aportes financeiros dos novos investidores, outra exigência da Justiça.Dois investidoresO representante do TGV disse que há dois investidores com o grupo, mas também não revelou quem são eles. Segundo Marsillac, amanhã o grupo terá uma reunião com a diretoria da Varig para elaborar um plano de contingência, que consistirá na devolução de 19 aeronaves, das 49 que segundo estão em condições de uso. Isso significa que mais vôos serão cancelados, mas não informou quantos nem quais.Ayoub passou o dia inteiro reunido com representantes da consultoria Alvarez & Marsal, responsável pelo processo de reestruturação da Varig, e do TGV, que até às 19 horas ainda não havia apresentado os esclarecimentos sobre a origem do dinheiro para liquidar a compra, segundo informou o promotor do Ministério Público Estadual, Gustavo Lunz, que também participava da reunião. À saída do tribunal, ele chegou a declarar que a decisão judicial não sairia hoje. "Não dá mais tempo", disse.Uma hora mais tarde, o juiz convocou a coletiva e anunciou que havia aprovado a compra. O TGV foi o único grupo que apresentou oferta pela Varig, de US$ 449 milhões (R$ 1,010 bilhão), no leilão. A oferta do TGV havia sido homologada com condições pelo juiz Ayoub. A principal exigência da Justiça fluminense era a comprovação da origem dos recursos. Na quinta-feira da semana passada, o TGV entregou pela segunda vez esclarecimentos que não foram considerados suficientes pela comissão de juízes que supervisiona a reestruturação da Varig. A Justiça deu mais tempo para o TGV e a decisão ficou adiada para hoje.Os US$ 75 milhões são cruciais para a Varig porque na próxima quarta-feira o juiz Robert Drain, da Corte de Nova York, vai exigir a garantia de que a Varig tem dinheiro para poder pagar as empresas que arrendam aviões para a companhia. Caso não haja essa comprovação, o juiz pode derrubar uma liminar que vem protegendo a Varig contra a perda de pelo menos 25 aeronaves, o que inviabilizaria, quase de imediato, sua operação internacional, já que destes, 23 são aviões de grande porte.Situação críticaHoje, a Internacional Lease Finance Corporation (ILFC), que deveria começar a receber da Varig nove aeronaves arrendadas com pagamentos vencidos, anunciou que quer medidas extraordinárias da Corte de Falências do Distrito Sul de Nova York para que a Varig cumpra a ordem de devolução das aeronaves. Entre as medidas classificadas como extraordinárias que a ILFC irá sugerir ao juiz Robert Drain, na audiência desta semana, devem estar desde multa até pedido de prisão para os representantes da Varig nos EUA por "violação às ordens" determinadas pela Corte norte-americana.No Brasil, o governo já havia dito que não iria interferir na decisão da BR Distribuidora a respeito do fornecimento de combustível à Varig. A decisão foi anunciada hoje pelo vice-presidente da República, José Alencar. A subsidiária da Petrobras ameaça só vender para a companhia aérea mediante pagamento à vista. Na sexta-feira, depois de uma dura negociação com a BR Distribuidora, a Varig disse que contava com combustível para continuar operando, mas apenas até hoje. Para Alencar, a relação entre BR e Varig é de caráter empresarial e não diz respeito ao governo. "O governo é controlador, mas a empresa é aberta, é uma sociedade de capital aberto, portanto, do capital dela fazem parte milhares e milhares de pessoas. Então, essas questões são eminentemente empresariais", afirmou. Ele também disse que a postura do governo sobre a crise da Varig é a de aguardar a decisão do Judiciário.Já a Infraero, outro credor da Varig, também concedeu mais tempo à companhia aérea. O Conselho Administrativo da Infraero se reunirá amanhã, às 10 horas, para votar uma proposta da diretoria da estatal de cobrar antecipadamente da Varig as tarifas de embarque referentes aos vôos que serão realizados diariamente. Se o recolhimento não for feito à vista, os vôos previstos poderão ser cancelados pela Infraero. O fato é que a Varig deveria repassar quinzenalmente as tarifas de embarque. Isso não tem sido feito e o débito acumulado pela Varig em tarifas de embarque não repassadas desde abril está em R$ 31,310 milhões.

Agencia Estado,

19 de junho de 2006 | 19h53

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