GABRIELA BILO/ ESTADAO
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Justiça aponta queda de bloqueios em estradas, mas caminhoneiros criticam governo

Ministério da Justiça informou que interdições estão concentradas nos três Estados da região Sul; Associação Brasileira dos Caminhoneiros (ABCAM) afirma que os problemas que levaram à paralisação ainda não foram solucionados

Ayr Aliski, Nivaldo Souza, Agência Estado

27 Fevereiro 2015 | 19h31

O Ministério da Justiça afirmou que nesta sexta-feira (27) houve redução no número de bloqueios nas estradas causados pela greve dos caminhoneiros. O governo avalia, ainda, que ocorreu concentração das manifestações nos três Estados da região Sul. Também nesta sexta-feira, entretanto, a Associação Brasileira dos Caminhoneiros (ABCAM) emitiu nota criticando o governo e dizendo que os problemas que levaram à paralisação ainda não foram solucionados.

Em nota, o Ministério da Justiça cita que por volta das 16 horas desta sexta-feira (27), havia 56 pontos de interdição de rodovias federais, sendo 47 deles nos estados do Rio Grande do Sul (22), Santa Catarina (12) e Paraná (13). O ministério aponta que "a situação segue normalizada nos demais Estados". O MJ, entretanto, segue monitorando a situação nas rodovias federais.

A secretária nacional de Segurança Pública, Regina Miki, comentou que o governo federal está aberto à negociação desde o primeiro momento. "O acordo foi firmado e descumprido. Portanto, com as medidas judiciais em mãos, os policiais federais e policiais estaduais, em uma operação integrada, tem feito valer a lei", afirmou. "Estamos identificando aqueles que estão infringindo a lei, multando e desobstruindo as estradas. Os números registram a redução do movimento e a sua concentração", declarou Regina.

A greve dos caminhoneiros foi um dos grandes problemas enfrentados esta semana pelo Palácio do Planalto e o caso ainda não está resolvido. Produtores rurais de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul foram às rodovias federais e estaduais nesta sexta-feira para demonstrar apoio à paralisação dos caminhoneiros, com a condição de que o fluxo de cargas vivas, perecíveis e de leite seja liberado. O bloqueio de estradas, em vários pontos do País, provocou o risco de desabastecimento em algumas regiões e provocou uma intensa agenda de reuniões em Brasília, envolvendo ministros e representantes dos caminhoneiros.

Influência. A Associação Brasileira dos Caminhoneiros (ABCAM), no entanto, considerou que ainda não houve consenso e que os problemas que afetam a categoria não foram solucionados. "Após criteriosa análise e entendimentos com associados, a ABCAM não julgou suficiente a proposta feita pelo governo federal, no último dia 25, para colocar fim aos protestos da categoria, que bloqueou rodovias por todo o País. A ABCAM avalia que "o governo se socorreu de um grupo de pessoas que não têm influência junto à categoria e, por isso mesmo, acabou por aprovar propostas que não atendem aos anseios dos caminhoneiros".

A associação cita que a principal reivindicação dos caminhoneiros envolve o preço do óleo diesel. "Deveria ser a principal proposta do governo, mas não foi", critica a entidade, em nota. A proposta da ABCAM é que o governo retire todos os porcentuais dos impostos recentemente acrescentados ao valor do óleo diesel, por um prazo de 6 meses, enquanto se processam novas conversações e negociações, "o que, por si só, traria a volta da normalidade nas estradas". A associação também quer que o governo se comprometa a discutir uma Planilha Nacional de Custos.

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