Justiça argentina paralisa fusão AmBev-Quilmes

Uma vez mais o Poder Judiciário da Argentina mostra suas diferenças com o Executivo. Enquanto o governo deixa entrever sua aprovação à fusão entre a brasileira AmBev e a argentina Quinsa (Quilmes), a Justiça decidiu condicionar esta aliança. A Câmara Federal no Civil e Comercial acatou medida cautelar apresentada pela alemã Isenbeck para impedir a operação. A cervejaria alemã quer um lugar como parte coadjuvante no expediente que estuda a união da Brahma e Quilmes que se encontra na Comissão Nacional de Defesa da Concorrência. Até ontem à noite, esse expediente corria normalmente, dentro das datas esperadas e favorável ao negócio, conforme pôde averiguar a Agência Estado. A decisão judicial suspende o trâmite do processo na Comissão até que esta se pronuncie sobre o recurso de apelação e o pedido de suspensão apresentados pela Isenbek diante da mesma. Este revés vai alterar a data esperada pela Quilmes e Brahma para concretizar o negócio que era 15 de setembro, ocasião em que a Comissão deveria anunciar sua decisão. Fontes do mercado suspeitam que o caso poderá converter-se numa guerra judicial , a qual seria definida pelos Tribunais. Seria o primeiro caso do gênero, na Argentina, sob o argumento de concentração de monopólio analisado pelas leis de Defesa da Concorrência, recusado pela Justiça. Não se sabe qual será a reação da Comissão Nacional de Defesa da Concorrência argentina que já havia rejeitado pedido semelhante da Isenbeck, cervejaria alemã. O detalhe favorável da decisão à Brahma e à Quilmes é que os juízes Martín Farrel, Guillermo Antelo e Fernando Voces, deixam claro que não estão opinando sobre a questão de fundo, somente sobre o direito de Isenbek de fazer parte do processo. O gerente geral da Isenbeck , Juan Pabrlo Piccardo, insiste em que " a fusão derivará em uma posição dominante de mercado que gera um cartel com tendência a fixar políticas unificadas na produção, comercialização, determinação de preços e outros problemas no processo de concorrência". A Agência Estado procurou o gerente da AmBev, Carlos Bembhy, mas sua assessoria de imprensa informou que o mesmo estaria fora do país por um período de 15 dias e que não havia outra pessoa que falasse em seu nome. Já na Quilmes, o porta-voz Fernando Lascano mostrou-se tranquilo em relação à sentença, afirmando que os imprevistos já eram esperados, tanto que em nenhum momento fixaram data para concretizar o negócio.

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