Justiça autoriza pedido de recuperação da Vasp

O juiz Alexandre Lazzarini, titular da 1ª Vara de Falência e Recuperação de Empresas, deferiu hoje o pedido de recuperação judicial feito pela Vasp. Com a medida, a empresa tenta suspender os mais de 50 pedidos de falência que tramitam nos tribunais.Sem voar desde o início do ano e sob intervenção da Justiça do Trabalho, a Vasp é a segunda companhia aérea a entrar em recuperação judicial pela nova lei de falências, a Lei de Recuperação de Empresas. A Varig fez a mesma tentativa e foi atendida. A empresa deu entrada com pedido de recuperação no dia 17 de junho e teve seu pedido deferido pela Justiça no dia 22 do mesmo mês.Concedido o pedido, a empresa terá 60 dias para apresentar um plano de recuperação e outros quatro meses para aprová-lo junto aos credores. Só à União, a empresa deve mais de R$ 2 bilhões. A recuperação judicial blinda a empresa dos pedidos de falência e permite uma trégua de seis meses no pagamento de dívidas. Bens penhorados e créditos que a empresa possui e que estão depositados em juízo também ficam liberados.Segundo o interventor interino Reginaldo Alves de Sousa, não havia outra alternativa, senão recorrer à recuperação judicial. ?Estávamos sem saída diante dos inúmeros pedidos de falência e da falta de dinheiro para investir na área de manutenção para que a empresa possa voltar a prestar serviços?. O assessor jurídico da comissão Pedro Morel completou: ?Temos R$ 10 mil na conta. Se alguém pedir a nossa falência, a gente quebra?.Sócio afastadoNa ação de recuperação judicial, os advogados Luiz Gonzaga Proença Junior e Rubens Salles de Carvalho, entre outros sócios, pedem o afastamento do empresário Wagner Canhedo e sua família do controle da companhia. O texto pede ainda a prisão de Canhedo, caso a apuração das denúncias de furto de bens e dilapidação do patrimônio da Vasp apontem o seu envolvimento.A Vasp não voa desde janeiro e está sob intervenção da Justiça do Trabalho desde março, quando os bens do empresário ficaram indisponíveis. No mês passado, a Justiça determinou ainda a penhora dos bens do grupo econômico de Canhedo, no valor de R$ 75 milhões, para pagar dívidas trabalhistas.

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