Justiça bloqueia contas de suspeitos no caso Ipiranga

A 1ª Vara Federal do Rio de Janeiro bloqueou cerca de R$ 4 milhões de contas de dois suspeitos de terem sido favorecidos pelo suposto vazamento de informações durante o processo de aquisição da Ipiranga, pelo consórcio de empresas formado pela Braskem, Ultra e Petrobras. Uma liminar foi concedida no final da noite desta terça-feira, 22, à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e ao Ministério Público Federal, com o objetivo de impedir que os papéis comprados sejam novamente negociados.Os suspeitos são uma pessoa física e um fundo de pensão, no entanto, os nomes dos envolvidos estão sob sigilo de justiça. É a primeira vez no Brasil que uma liminar bloqueia ações adquiridas com indícios de informações privilegiadas. A CVM tem 90 dias para concluir a investigação. A informação foi confirmada pelo presidente da CVM, Marcelo Trindade. Os rumores de que houve privilégio de informações no processo de aquisição da empresa foram reforçados pelo aumento do volume de negócios com ações do Grupo Ipiranga na semana que antecedeu o anúncio da venda. Entre os dias 12 e 16 deste mês, foram negociados R$ 24 milhões em ações ordinárias (ON). É mais do que o dobro do volume negociado nos três meses anteriores, entre 2 de janeiro e 9 de março: R$ 11,6 milhões. A mudança de média diária dá a dimensão do salto: de R$ 290 mil, em três meses, para R$ 4,8 milhões na última semana.Câmara convida para esclarecimentosA Comissão de Minas e Energia da Câmara também acompanha de perto a suspeita de irregularidades na transação e aprovou, na terça-feira, um convite para que os presidentes da Petrobras, Braskem e Ultra debatam a compra da Ipiranga com os deputados, em audiência pública marcada para a próxima quarta-feira. Os convites para Sérgio Gabrielli (Petrobras), Pedro Wongtschowski (Ultra) e José Carlos Grubisich (Braskem) foram aprovados na reunião da comissão.Apesar de se tratar de convite, não de convocação, o presidente da comissão, deputado José Otávio Germano (PP-RS), disse que fez contato prévio com os executivos e acredita que todos vão comparecer.A comissão também quer investigar se houve ou não vazamento de informações durante o processo de compra da Ipiranga. Os deputados aprovaram requerimento convidando o presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Marcelo Fernandez Trindade, para explicar a questão depois que for concluído a apuração iniciada pela CVM sobre a suspeita de vazamento.Também foi aprovado um pedido de informações ao ministro das Minas e Energia, Silas Rondeau, para que ele envie o contrato de compra e venda feito pela Petrobras, empresa subordinada ao ministério. ´É importante observarmos se houve algum tipo de vazamento de informação. Isso é grave. Os investidores precisam de segurança´, argumentou Germano.O presidente da comissão avaliou que o negócio das empresas ´tem tudo para ser considerado bom´ e a audiência pública deverá esclarecer os termos do contrato firmado. ´É importante garantir os investimentos, saber qual o ganho da Petrobras em se associar minoritariamente com a Braskem, que direitos ela terá no modelo de gestão e se houve vazamento de informações´, disse Germano. O deputado quer discutir ainda a manutenção dos empregos nas unidades da Ipiranga.Ministro pede rigor e rapidezO ministro da Fazenda, Guido Mantega, recomendou à CVM rigor e rapidez máxima nas investigações sobre os indícios de especulação nas ações da Ipiranga às vésperas do anúncio da venda do grupo para Petrobras. "A CVM é um órgão ligado à Fazenda. Eu entrei em contato com a CVM e pedi o máximo rigor na apuração dessa movimentação que foi identificada por ela", disse.O ministro ressaltou que foi a própria CVM que identificou a movimentação atípica e abriu uma investigação para apurar o caso. ´O governo tomou a iniciativa (da investigação) e recomendei o rigor e rapidez máxima para apuração desses dados´, disse ele.A CVM solicitou à Bovespa a relação completa das corretoras que negociaram as ações, quem comprou e quem vendeu, e para quem elas operavam. No cruzamento de dados, como de praxe, serão revelados os compradores esporádicos, o volume que cada um movimentou e até o patrimônio dos investidores, para identificar a utilização de possíveis ?laranjas?. Na lista das corretoras que mais negociaram ações na última semana aparecem desde nomes pouco conhecidos a grandes bancos. De quarta-feira em diante, quem mais comprou ações para clientes foram as corretoras Indusval, SLW, Novinvest e Ágora.Texto alterado às 12h07, para acréscimo de informações

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