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Justiça decreta falência da Karmann-Ghia

Fábrica, que montou último veículo da marca em 1974, produzia componentes nos últimos anos; rescisões e salários estão atrasados

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

23 Novembro 2016 | 21h31

Ícone da indústria automobilística brasileira, a Karmann-Ghia teve a falência decretada nesta quarta-feira, 23, pelo juiz Gustavo Dall’Olio, da 8.ª Vara Cível de São Bernardo. Entre os anos de 1961 a 1974 a empresa do ABC paulista produziu o lendário esportivo Karmann Ghia. Desde então, passou a fabricar autopeças para várias montadoras, mas estava sem operar há mais de seis meses.

O pedido de falência foi feito pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC no fim de junho, depois que a fábrica foi abandonada pelos atuais donos, deixando cerca de 300 funcionários sem salários desde dezembro e outros 300 que haviam sido demitidos sem os direitos da rescisão de contrato.

Desde maio, um grupo de trabalhadores estava acampado nos portões da fábrica, na Via Anchieta, para evitar a retirada de maquinários, já que também há ações de credores na Justiça. Segundo o sindicato, havia uma briga judicial entre o dono anterior e o atual. A partir de 2008, quando a família alemã Karmann saiu do negócio, a empresa passou por quatro ou cinco proprietários.

O principal cliente da Karmann-Ghia era a Fiat, que comprava cerca de 60% a 70% da produção de componentes. Com a crise, os pedidos tiveram forte queda e a empresa, que já passava por dificuldades, não conseguiu manter suas operações.

De 1998 a 2005 a fábrica foi responsável pela montagem do jipe Defender, da Land Rover, que também encerrou o negócio. A marca britânica voltou ao País neste ano, sob comando da montadora indiana Tata Motors, com uma fábrica no Rio de Janeiro.

Em nota, o presidente do sindicato, Rafael Marques, disse que, a partir da decisão judicial, os créditos trabalhistas passam a ter prioridade na massa falida, que será gerida por um administrador a ser nomeado pela Justiça. O sindicalista admitiu que o processo será longo, mas será acompanhado pela entidade.

“Vamos para cima dos bens dos sócios da empresa para garantir que o trabalhador consiga receber o que é de direito”, afirmou Marques. Há alguns meses, ele cogitou de os próprios trabalhadores assumirem a empresa em forma de cooperativa.

Nesta quinta-feira, 24, às 8h, o sindicato realizará assembleia com os trabalhadores em frente à sede da Karmann-Ghia com a participação de profissionais da área jurídica para informar sobre os procedimentos daqui para frente, já que um grupo segue se revezando no acampamento. Com a falência, o prédio deverá ser lacrado pela Justiça.

Projeto. Em 2013, quando a fábrica estava nas mãos do grupo ILP Industrial, foi divulgado um projeto para voltar a produzir o Karmann Ghia com design mais moderno, mas seguindo as linhas do original. Os proprietários chegaram a fazer um concurso de design para universitários de todo o País e o projeto vencedor seria a base do novo carro.

Mais de 600 propostas foram entregues, das quais 10 foram selecionadas. O vencedor do concurso recebeu prêmio de R$ 100 mil, e segundo e terceiro colocados ganharam R$ 60 mil e R$ 30 mil, respectivamente.

O ILP buscou parceria entre várias montadoras para a produção do esportivo, mas não teve sucesso. Na época, o grupo informou ter investido R$ 30 milhões na aquisição de seis prensas automatizadas e na mudança da estrutura da fábrica com a intenção de ampliar a gama de clientes.

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