Justiça decreta prisão de 9 pessoas envolvidas com caso Cisco

Elas estão envolvidas em esquema gigantesco de fraudes no comércio exterior

Agência Estado,

26 de outubro de 2007 | 17h56

O juiz da 4ª Vara Federal Criminal de São Paulo, Alexandre Cassetari acolheu pedido do Ministério Público Federal e determinou a prisão preventiva de nove pessoas investigadas na Operação Persona. Trata-se de uma investigação que apurou um esquema gigantesco de fraudes no comércio exterior. Montado em São Paulo e com ramificações no Rio de Janeiro e na Bahia, o esquema teria causado um prejuízo de R$ 1,5 bilhão em sonegação de impostos em cinco anos.  Seis pessoas já estavam em prisão temporária e passam agora para prisão preventiva. São elas: José Roberto Pernomian Rodrigues, Paulo Roberto Moreira, Carlos Roberto Carnevali, Helio Benetti Pedreira, Cid Guardia Filho, o Kiko, e Moacyr Alvaro Sampaio. Eles foram transferidos nesta sexta-feira, 26, para um Centro de Detenção Provisória em Guarulhos, na Grande São Paulo. Os outros três acusados com prisão preventiva decretada são: Fernando Machado Grecco, Marcelo Naoki Ikeda e de Ernani Bertino Maciel. Grecco e Ikeda já tinham sido preso e foram libertados cinco dias depois. Maciel está foragido. O Ministério Público Federal argumentou que soltos eles representam ameaça à ordem econômica e a conveniência da instrução penal, porque poderiam influenciar testemunhas e outros investigados. Entenda a Operação Persona A multinacional americana do setor de informática Cisco Systems e sua subsidiária no Brasil foram os principais alvos da Operação Persona, da Polícia Federal, em conjunto com a Receita e o Ministério Público, para desmontar um esquema gigantesco de fraudes no comércio exterior.  A investigação começou há dois anos. Segundo o Ministério Público Federal, pelos menos oito crimes teriam sido praticados: formação de quadrilha, falsificação de documentos, uso de documento falso, corrupção ativa e passiva, contrabando, sonegação de impostos, ocultação de patrimônio e interposição fraudulenta de importações. Existe ainda uma suspeita de evasão de divisas. Fiscais da Receita Federal encontraram indícios de lavagem de dinheiro no esquema de fraude e sonegação de impostos. Os investigadores desconfiam que o esquema tenha praticado evasão de divisas simulando o pagamento de direitos autorais de softwares. O dinheiro seria enviado para empresas offshore com sede no Caribe como se tratasse de operação para pagar os titulares da patente do software. Para a Polícia Federal, essa seria uma forma de ocultar patrimônio. Os fiscais da Receita que participaram da Operação Persona ficaram entusiasmados com os documentos apreendidos sobre as offshore. Essas empresas seriam responsáveis pela ligação entre as empresas fantasmas brasileiras e as americanas mantidas pelo esquema. Além de propiciar a evasão por meio do pagamento de direitos autorais falsos, as operações com os softwares permitiam, segundo os investigadores, uma outra fraude: fingir que o valor do software era muito superior ao do equipamento importado. Nesse caso, o esquema ganhava ao deixar de recolher o Imposto de Importação do equipamento, ao mesmo tempo em que aproveitava a isenção existente para o software.

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