Justiça deverá homologar ainda hoje venda da Varig

A Justiça do Rio deverá homologar a venda da Varig ainda hoje, segundo informou no final da manhã desta quinta-feira o juiz Paulo Roberto Fragoso, que integra a comissão de juízes responsável pela recuperação judicial da companhia aérea. Segundo ele, nas próximas 48 horas a VarigLog deverá fazer um depósito de US$ 75 milhões para a Varig, conforme o plano de investimentos previsto pela ex-subsidiária de logística e transporte de cargas. A oferta total da VarigLog prevê o desembolso de cerca de US$ 500 milhões."O mais importante a ocorrer é que a Varig nova vai crescer, não tenho dúvida disso. Agora, é muito importante a manutenção da Varig antiga, que ela seja saneada para fazer frente às despesas que vem assumindo", afirmou Fragoso. O juiz se referiu à empresa que permanecerá em recuperação judicial para amortizar o passivo total da Varig, de R$ 7,9 bilhões.A nova empresa formada a partir da venda da Varig para a VarigLog terá 30 dias após a homologação da operação para comprovar que tem condições de manter todas as suas linhas. Caso contrário os slots (horários e espaços para pouso e decolagem nos aeroportos) serão redistribuídos para outras companhias.O presidente da Agência , Milton Zuanazzi, explicou que, nos últimos meses, a companhia aérea deixou de operar várias rotas, que foram atendidas por outras empresas em um plano de contingência preparado pela Anac. Disse ainda que a autorização do órgão para a nova companhia que será criada para incorporar os ativos da Varig dependerá do cumprimento dos pré-requisitos exigidos pela agência.Hoje a Varig conta apenas com 16 aviões em atividade e opera somente 20% dos vôos de sua malha original. São apenas 14 cidades no Brasil, o que fez a participação de mercado da empresa despencar para 4,9% na primeira quinzena de julho. A malha internacional, que já incluiu todos os continentes, hoje se resume a Frankfurt, Londres, Miami e Nova York. Com tão poucos vôos - e com a falta de dinheiro para oferecer de castanhas a bebidas -, até a Sala VIP no aeroporto de Guarulhos foi desativada. O leilãoA Variglog arrematou a Varig por US$ 500 milhões, em um leilão que apenas formalizou a proposta, uma vez que apenas esta companhia estava qualificada. A VarigLog fez o depósito do preço mínimo de US$ 24 milhões exigido pela Justiça. Na verdade, já havia antecipado US$ 20 milhões para que a companhia aérea continuasse operando até a data do leilão.A VarigLog também apresentou uma carta de fiança bancária de US$ 75 milhões e se comprometeu a mais um aporte de US$ 485 milhões. Deste aporte, US$ 354 milhões serão destinados a investimentos na nova Varig e o restante para a Varig antiga reduzir débitos de credores. O total da proposta, portanto, é um pouco superior a US$ 500 milhões.ReestruturaçãoA VarigLog quer iniciar a primeira etapa de reestruturação da Varig com até 2.000 funcionários e 13 aviões, o que vai custar a demissão de cerca de 8.000 pessoas. Situação bem diferente do fim do ano passado, quando havia quase 12 mil empregados e em torno de 80 aviões. A nova Varig, como está sendo chamada a empresa que vai a leilão, terá a concessão de toda a operação nacional e internacional da Varig e Rio Sul, assim como as duas marcas. Em até 180 dias após a oficialização da compra, a VarigLog planeja ter até 80 aviões, o que indica a possibilidade de recontratação dos empregados que serão dispensados. O programa de milhagem Smiles, com 6 milhões de usuários e passagens a serem honradas no valor de R$ 70 milhões, também ficará na nova Varig. A VarigLog também vai assumir o passivo de R$ 245 milhões referente a passagens que já foram vendidas, mas não foram usadas. Dois dias após a oficialização da compra, estão previstos US$ 75 milhões para a empresa. A área comercial, que inclui toda a venda de passagens, também permanecerá nessa estrutura. A oferta da VarigLog, de pouco mais de US$ 500 milhões, inclui US$ 20 milhões que estão sendo emprestados para custear a operação da ex-controladora até o leilão. Há ainda US$ 485 milhões previstos como aporte para a companhia que já teve a hegemonia do mercado nacional e internacional, mas que viu sua participação no País minguar para menos de 5% hoje.Varig antigaParte dos recursos prometidos pela VarigLog será usada para garantir uma receita mínima na Varig antiga, que é como está sendo conhecida a empresa que permanecerá em recuperação judicial para amortizar o passivo de R$ 7,9 bilhões da Varig. A Varig antiga herdará a marca Nordeste e apenas uma rota, o vôo ida e volta Congonhas-Porto Seguro, com 50 funcionários. Também fará fretamentos de aeronaves para a nova Varig, por meio de um contrato de 3 anos. O mesmo tipo de parceria valerá para o centro de treinamento de pilotos, num período de 10 anos. Todos os imóveis da Varig, avaliados em R$ 120 milhões, também renderão receita vinda de aluguel. De acordo com o novo plano de recuperação judicial da Varig, até o dia 17 de agosto deverá ser convocada uma assembléia de credores para eleger um gestor judicial para a Varig antiga. Também está prevista a escolha de um agente fiduciário, que será responsável pela emissão de títulos de dívida (debêntures) para reduzir dívidas. Para trabalhadores e credores com garantias reais, estão previstos R$ 100 milhões em 10 anos. Para estatais e arrendadoras de aviões, foram reservados basicamente 70% do fluxo de caixa da Varig antiga, que tem previsão inicial de receita de R$ 19 milhões por ano. Para o fundo de pensão Aerus, com 7,6 mil participantes das empresas do grupo Varig e R$ 2,3 bilhões a receber, a VarigLog destinou parte do que a ex-controladora tem a receber do governo por perdas com o congelamento de tarifas entre as décadas de 80 e 90, em torno de R$ 4,5 bilhões.

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