Justiça do Paraná suspende abate de gado de elite

A Justiça do Paraná concedeu liminar a 23 criadores de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná que entraram com ação cautelar para impedir que 635 cabeças de gado de elite fossem abatidas sem a realização de exames individuais para constatação da febre aftosa e sem a avaliação do valor de mercado de cada animal.A liminar, divulgada hoje, foi concedida na tarde de sexta-feira pela juíza Denise Teresinha Krueger, da 2ª Vara Cível de Toledo (PR), onde foi realizada uma exposição de melhoramento genético entre 3 e 11 de outubro, e vale para 117 ovinos, suínos e caprinos que participaram da exposição e estão retidos com os bovinos no recinto daquela cidade.Segundo o advogado Naudé Pedro Prates, técnicos da Secretaria da Agricultura do Paraná queriam abater os animais depois que testes feitos em duas bezerras de 10 meses do Mato Grosso do Sul deram positivo. "Na verdade, foi um falso positivo, porque os animais haviam sido imunizados duas vezes e por isso constava a presença do vírus neles", explicou. Prates disse que, como os testes foram usados como amostragem, decidiu-se pelo abate. Apavorados, os criadores recorreram à Justiça contra o Governo do Estado para evitar o sacrifício dos bovinos. Os bovinos são de alta linhagem genética, e muito valiosos. Uma vaca, Grande Campeã Reservada, por exemplo, está avaliada em mais de R$ 1 milhão. Ela pertence à presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Nelore (ABCN), Alice Ferreira. Com a liminar, qualquer abate somente poderá ser feito após os testes clínicos e laboratoriais de cada animal e depois de uma avaliação do valor de cada um no mercado.Resultado dos examesA assessoria da Secretaria da Agricultura do Paraná informou hoje que os exames laboratoriais que devem confirmar ou não a ocorrência de febre aftosa em 19 animais espalhados em quatro propriedades do Estado "não ficam prontos antes de quinta-feira". A confirmação no Laboratório Nacional de Agricultura, em Belém (PA), passa por três contraprovas, o que retarda a divulgação do resultado.A possibilidade de que não seja aftosa é pequena. No sábado, em Brasília, o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, tinha previsto chance de 90% para a doença. Se for confirmada, o assessor da presidência da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Carlos Augusto Albuquerque, acredita que a reabertura do mercado paranaense somente será rápida se ficar provada a tese que o governo vem defendendo de que o foco se alastrou no Paraná em função de o vírus ter vindo de Mato Grosso do Sul, em gado que recebeu licença de sua Agência de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro).

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