Justiça libanesa convoca Carlos Ghosn para depoimento nesta quinta-feira, 9

Aposta é que se trata de uma formalidade; executivo também terá explicar viagem a Israel, o que é crime para cidadãos libaneses

Fernando Scheller, enviado especial, O Estado de S.Paulo

08 de janeiro de 2020 | 18h29

BEIRUTE - O procurador de Estado do Líbano, Ghassan Oueidat, convocou o executivo Carlos Ghosn para um depoimento a ser realizado nesta quinta-feira, 9, no Palácio da Justiça de Beirute. O objetivo do promotor é saber o posicionamento do ex-presidente da Renault-Nissan em relação ao alerta de prisão emitido pela Interpol, a pedido do Judiciário do Japão, onde ele enfrenta em um processo criminal. O executivo fugiu para o Líbano, onde chegou no dia 30 de dezembro.

Além disso, Ghosn vai também falar sobre a queixa prestada contra ele por um grupo de advogados do Líbano em relação à sua visita a políticos israelenses na época em que era presidente do grupo automotivo. Pela lei libanesa, cidadãos do país que pisam em território israelense estão sujeitos a prisão, devido ao histórico de conflito entre as duas nações.

Durante a entrevista que concedeu nesta quarta-feira, 8, Ghosn endereçou os dois temas. Ele lembrou que o Líbano não costuma atender a pedidos de prisão pela Interpol (de maneira geral, o país apenas interroga os alvos de alertas de prisão). Na visão de advogados do país, a chance de o ex-titã da indústria automotiva receber punição no Líbano é nula. O governo já avisou que não vai deportá-lo para o Japão.

Em relação à visita a Israel, que foi bastante criticada na mídia libanesa nos últimos dias, o executivo esclareceu que o encontro com políticos israelenses se deu a pedido da Renault-Nissan – e que ele fez a visita a Israel nessa condição, e não como cidadão do Líbano. Mesmo assim, ele pediu desculpas à nação pelo encontro na entrevista coletiva que concedeu nesta quarta-feira.

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