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Justiça suspende demissões da Embraer

Segundo o TRT, empresa tem de negociar antes com os trabalhadores; Embraer vai recorrer da decisão

Paulo Justus e Paula Pacheco, O Estadao de S.Paulo

28 de fevereiro de 2009 | 00h00

O Tribunal Regional do Trabalho de Campinas (15ª região) determinou na noite de quinta-feira a suspensão temporária das 4.270 demissões feitas pela Embraer. A decisão causou impacto no Brasil e no exterior e refletiu no valor das ações da fabricante de aeronaves. As ADRs da Embraer na Bolsa de Nova York cederam 4,76%. Na Bovespa, as ações ordinárias fecharam em queda de 2,08%. A Embraer informou que recorreria ontem da decisão do TRT. Os especialistas em Direito acham pouco provável que a empresa tenha sucesso na cassação da liminar. Isso porque está marcada para quinta-feira uma audiência de conciliação entre a companhia e o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos (SP).A entidade pede na Justiça que as demissões sejam suspensas e alega que a empresa não a comunicou sobre a decisão com antecedência. O desembargador Luís Carlos Cândido Martins Sotero da Silva informou no despacho que houve um desrespeito aos trabalhadores.Ontem os demitidos conseguiram o apoio do presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, que se comprometeu a conversar com a direção da empresa.A liminar foi festejada pelos trabalhadores em São José dos Campos, onde houve manifestações na porta da Embraer. "Esse é um indicativo de que estamos em melhores condições de negociação", disse o secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, Luiz Carlos Prates. Prates diz que embora os funcionários não tenham efetivamente voltado ao serviço, o período de suspensão das demissões vai contar como tempo trabalhado.Para o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, a Embraer vai ter de tomar outra postura com os sindicatos a partir da decisão judicial. "Se a Embraer continuar com essa intransigência, vai perder na Justiça", afirmou. Segundo ele, os sindicatos estão dispostos a negociar alternativas às demissões na audiência de conciliação. Entre as propostas citadas por Paulinho, estão o estabelecimento um plano de demissão voluntária, a concessão de licença remunerada e a redução de jornada. Caso as partes não cheguem a um acordo, o dissídio coletivo será julgado pelo TRT.Aos demitidos resta torcer para que a retomada da negociação traga o retorno efetivo ao trabalho. "Temos que nos apegar a esse fio de esperança", afirmou o metalúrgico despedido José Cláudio Nascimento, de 29 anos. Ele diz que os colegas de trabalho demitidos em outubro do ano passado ainda não encontraram emprego.

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