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Juventude kirchnerista vigia preços na Argentina

Governo anuncia hoje lista de 500 produtos cujos preços ficarão congelados; outros 12 mil serão fiscalizados por grupo de apoio de Cristina

ARIEL PALACIOS , CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2013 | 02h07

O governo da presidente Cristina Kirchner anunciará hoje uma lista de 500 produtos de supermercados que continuarão dentro do congelamento de preços imposto pela Casa Rosada em fevereiro.

Esses produtos constituem uma pequena parcela do total de mercadorias comercializadas nesses estabelecimentos. Os outros 12 mil produtos não serão incluídos no congelamento. No entanto, permanecerão regulados dentro de um acordo de preços com tetos que vão variar de forma escalonada nos próximos meses, de acordo com as negociações entre o governo Kirchner e os supermercados.

Militantes. Para verificar eventuais infrações ao congelamento o governo Kirchner contará com um sistema de fiscalização sem precedentes na Argentina. A vigilância, que deve ser iniciada na sexta-feira, será feita pelas organizações de militantes governistas.

O principal grupo é o La Cámpora, denominação da juventude kirchnerista, considerada a ala radical do governo. Esses grupos vão verificar se os comerciantes estão aplicando os preços autorizados. Caso contrário, farão relatórios sobre a infração ao acordo de preços.

La Cámpora, comandada pelo deputado Andrés Larroque - considerado o "garoto mimado" da presidente Cristina, que admira sua fidelidade política - está espalhando sua estrutura por quase todo o Estado argentino. Seus militantes ocupam postos de importância no Ministério da Economia, na chancelaria e no Ministério da Justiça. Além disso, administram a companhia aérea estatal Aerolíneas Argentinas.

Larroque disse que os comerciantes não devem ter medo dos militantes, uma vez que não agirão de forma violenta quando fizerem as auditorias em supermercados. A oposição afirma que o governo está armando "milícias dos preços".

Caso os grupos de militantes kirchneristas verifiquem alta de preços, denunciarão os aumentos ao secretário de comércio, Guillermo Moreno. O secretário poderá ordenar castigos sumários aos comerciantes em menos de 24 horas.

Críticas. O congelamento de preços teve início no dia 1.º de fevereiro. A princípio, terminaria em 1.º de abril. Mas foi prorrogado pelo governo Kirchner até o dia 31 de maio. No entanto, na sexta-feira será novamente prorrogado, desta vez por mais um bimestre.

Vários economistas criticam o congelamento, pois consideram que, quando acabar, haverá uma disparada de preços. A oposição acusa o governo de usar o congelamento para evitar a irritação da população com a escalada da inflação antes das eleições parlamentares de outubro.

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