Kapaz diz que Brasil corre risco de escândalos financeiros

O deputado Émerson Kapaz (PPS-SP) disse hoje que o Brasil também corre o risco de sofrer escândalos financeiros envolvendo balanços fraudulentos de grandes empresas, como os que vêm ocorrendo ultimamente nos Estados Unidos e na Europa. O parlamentar, relator de um projeto sobre o assunto que tramitava na Câmara dos Deputados, afirmou que a lei que rege o assunto no País é frágil e está desatualizada em relação às principais normais contábeis mundiais.Em entrevista esta manhã à Rádio Eldorado AM/FM, Kapaz falou que estava tentando fazer uma ?mistura? dos padrões contábeis americano e europeu para evitar que as empresas brasileiras tivessem que fazer dois tipos de balanço. "É o caso, por exemplo, das empresas que negociam ações em Wall Street e que precisavam publicar o balanço de acordo com as normas americanas. Mas aí começaram a surgir todos esses escândalos que exacerbaram as preocupações nos EUA. Aqui no Brasil, acredito que a coisa é um pouco pior", avalia.Em função desses escândalos, Kapaz disse que retirou da pauta da Câmara o projeto que estava relatando para estudá-lo melhor. Segundo ele, já foram feitas reuniões com membros da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para aperfeiçoar a proposta e evitar problemas como os dos EUA."Nós queremos diferenciar auditoria de normas de controle; a empresa que faz auditorias não poderia prestar serviços de contabilidade. Algumas normas precisariam ser efetivamente colocadas na lei, deixando o padrão legal para aquilo que for absolutamente necessário", avalia. "A idéia é que se tenha um Comitê de Normas Contábeis de Direito Privado, formado por entidades da sociedade civil, e que a CVM faça um convênio com esse comitê e passe a atualizar permanentemente esse padrão e essas normas", defende.O parlamentar reafirmou que a situação é muito preocupante e renovou o alerta sobre os riscos que países como o Brasil passaram a sofrer a partir da divulgação das fraudes nos EUA. "A situação nos Estados Unidos é grave porque começaram a aparecer escândalos em empresas que ninguém imaginava", avalia. "Com isso, vem a desconfiança que pode começar a fazer com que os investidores se retraiam e retirem suas aplicações dessas grandes empresas e de países como o Brasil, que depende do fluxo desses recursos internacionais".

Agencia Estado,

10 de julho de 2002 | 11h25

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