Kaspersky é acusada de inventar vírus para abalar concorrência

A Kaspersky, empresa russa de antivírus, foi acusada por dois ex-funcionários de criar e espalhar falsas ameaças por mais de 10 anos com o objetivo de prejudicar a concorrência. A denúncia - realizada pelos profissionais para a Reuters - já causou a manifestação do CEO da companhia, acusado de estar envolvido no esquema.

REUTERS, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2015 | 02h02

Segundo os relatos dos ex-funcionários, a Kaspersky enganava os softwares antivírus das empresas rivais classificando arquivos normais como maliciosos, o que fazia esses sistemas desabilitarem arquivos importantes nos computadores de seus consumidores.

Microsoft, Avast e AVG seriam os principais alvos.

Alguns dos ataques seriam ordenados por Eugene Kaspersky, CEO e fundador da empresa. Seu objetivo seria de obter vingança contra softwares menores que ele acreditava que copiavam o antivírus criado por ele em vez de desenvolver uma tecnologia própria.

Em comunicado enviado à Reuters, Kaspersky negou as acusações. "Nossa empresa nunca realizou qualquer campanha para enganar os concorrentes e prejudicar a sua posição no mercado", afirmou. Tais ações são antiéticas, desonestas e sua legalidade é, no mínimo, questionável."

No Twitter, Kaspersky também falou sobre o assunto, disse que a história é "besteira completa" e fez piada com Joseph Menn - repórter autor da matéria - chamando-o de alienígena.

Executivos da Microsoft, AVG e Avast já haviam declarado anteriormente para a Reuters que parceiros desconhecidos já haviam tentado induzir "vírus falsos" em seus softwares este ano. Ao serem procuradas para comentar a denúncia contra a Kaspersky, as empresas não quiseram se manifestar.

Liderança. A Kaspersky é uma das principais e maiores empresas de antivírus do mundo e atende cerca de 400 milhões de usuários e 270 mil empresas.

A companhia é respeitada por realizar pesquisas sobre programas sofisticados de espionagem.

Os dois ex-funcionários da empresa que fizeram a denúncia dizem que os pesquisadores do Kaspersky Lab ficavam ocupados por semanas e meses em projetos de sabotagem.

A tarefa dada a eles era fazer a engenharia reversa dos sistemas de detecção de vírus dos concorrentes para descobrir como enganá-los e fazê-los identificar arquivos normais como maliciosos.

Em 2010 a Kaspersky Lab reclamou publicamente que outras empresas estavam copiando o seu sistema de antivírus e pedindo respeito.

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