Katrina faz renda e gastos caírem nos EUA em agosto

A devastação que o furacão Katrina deixou reduziu em agosto nos EUA a renda per capita e os gastos dos consumidores americanos, que equivale a dois terços da atividade econômica no país, informou hoje o Governo. O Departamento de Comércio informou que a renda per capita caiu 0,1%, na primeira retração desde janeiro e a maior em dois anos. Por sua vez, a despesa dos consumidores caiu 0,5%, na maior diminuição mensal registrada desde novembro de 2001, dois meses depois dos atentados terroristas nos Estados Unidos.O Departamento de Comércio calculou que só as perdas geradas por propriedades não asseguradas fizeram com que a renda per capita em agosto caísse US$ 100 bilhões de dólares em agosto, mês no qual a inflação, excluídos os preços de combustíveis e alimentos, alcançou um ritmo anual de 2%, o mais alto desde maio.O relatório do Governo mostrou que, se fosse excluído o impacto do furacão Katrina no sudeste do país, em 29 de agosto passado, a renda teria subido 0,2%.Os analistas esperam que, quando os números de setembro refletirem a devastação das cidades e das infra-estruturas, o deslocamento de 1,3 milhão de desabrigados e o aumento dos preços dos combustíveis, o panorama será mais sombrio para a economia dos EUA.O principal ingrediente na redução da despesa dos consumidores foi a queda nas compras de automóveis. Esse índice poderia continuar caindo se os usuários continuarem pagando os altos preços da gasolina. Em julho, a despesa dos consumidores tinha subido 1,2%, e a renda, 0,3%.EconomiaA diminuição na despesa dos consumidores levou a uma taxa negativa de economia de 0,7%, depois que em julho se chegou à taxa negativa, sem precedentes, de 1,1%.Na quarta-feira passada, o principal assessor econômico da Casa Branca, Ben Bernanke, destacou que provavelmente os furacões, a destruição material e o deslocamento da população na região do Golfo do México reduzirão em meio ponto percentual o crescimento do terceiro trimestre.A maioria dos analistas tinha calculado que no trimestre concluído hoje a economia cresceria a um ritmo anual de 3,5%. Antes dos furacões, os especialistas apontavam para um possível ritmo anual de crescimento de 4,1%.IncertezasA conjuntura econômica está cheia de incertezas e dados ambíguos: o Federal Reserve, por exemplo, decidiu em sua reunião de 20 de setembro outro ajuste da política monetária que, com seu aumento das taxas de juros, é usado para frear a inflação.No entanto, segundo alguns analistas, o Fed não poderá seguir com esses ajustes gradativos - já aplicou onze deles desde junho de 2004- se os consumidores, preocupados com o alto preço dos combustíveis, e afetados pelas perdas de postos de trabalho pelos furacões, diminuírem seu ritmo de gastos.

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