Kawall: comunicado do FED diminuiu as incertezas nos mercados financeiros

Embora ainda haja incertezas sobre a trajetória de elevação dos juros pelo banco central dos Estados Unidos (FED), o secretário do Tesouro Nacional, Carlos Kawall, acredita que o comunicado desta quinta-feira do FED diminuiu as incertezas que desencadearam em maio as turbulências nos mercados financeiros em todo mundo. "Ainda teremos dúvida nas próximas semanas com relação ao movimento de agosto do FED, mas acreditamos que os mercados estão menos nervosos com relação a essa trajetória", disse.Kawall, no entanto, acredita que ainda é cedo para prever se os mercados entrarão "em uma maré de otimismo". Ele avaliou que a decisão do FED foi bem recebida pelos mercados porque o comunicado divulgado nesta quinta-feira, embora ainda sugira cautela em relação aos índices de preços, afirma que a redução do nível de atividade pode facilitar uma trajetória mais benigna da inflação, sugerindo que pode dar uma pausa aos aumentos sucessivos dos juros.Para o secretário, já foi possível sentir uma melhora nas condições de mercado nos últimos dias. Ele afirmou que as taxas de juros dos papéis ofertados pelo Tesouro estão caindo paulatinamente e que os leilões de NTN-Bs, os mais afetados pela turbulência por serem de mais longo prazo e os mais procurados por investidores estrangeiros, estão voltando à normalidade. Ele comentou que, depois de muito tempo, o Tesouro conseguiu colocar integralmente todos os lotes ofertados nesta quinta-feira de títulos prefixados (LTN e NTN-F), "com taxas mais baixas e boa demanda." "Isso foi um sinal de melhoria", comemorou.Kawall acredita que o momento de turbulências serviu para diferenciar o Brasil dos outros países. Ele avaliou que os bons fundamentos da economia brasileira garantiram ao Brasil o upgrade em sua avaliação de risco pela agência Fitch, mesmo em um cenário pré-eleitoral e com volatilidade no mercado. "Quando se tem bons fundamentos da economia, mesmo que os mercados estejam voláteis, o impacto no lado real da economia é minimizado", disse o secretário.Ele acredita que há espaço para novas captações do Tesouro brasileiro nos mercados internacionais, mas destacou que não há premência. Segundo ele, o hemisfério norte entra agora em período de férias e não é a época mais adequada para captações, mas lembrou que, num momento de volatilidade recente, o governo foi ao mercado para melhorar o perfil da dívida recomprando títulos.

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