Kerviel diz que SocGen deveria ter notado suas operações

O pivô do escândalo financeiro envolvendoo banco francês Societé Générale disse que suas atividades nãopoderiam ter passado despercebidas pela direção. O operador Jérôme Kerviel, que passou o fim de semana sendointerrogado pela polícia, é acusado pelo SocGen de ter criadoposições ilícitas que na semana passada lhes custaram 4,9bilhões de euros. Vários veículos da imprensa francesa publicaram trechos dodepoimento, que foram confirmados à Reuters por uma fontejudicial. Kerviel disse à polícia que na melhor das hipóteses houveuma falha sistemática dos controles informáticos eadministrativos. Um advogado do banco francês questionou aversão do operador. "O sr. Kerviel acusou um certo número de pessoas, mastambém reconhece ter assumido posições enquanto apagava seusrastros, e de uma forma totalmente contra as regras", disseJean Viel à rádio RTL. Kerviel teria dito à polícia que começou a ocultar suastransações em 2005, e que no final do ano passado já acumulava1,4 bilhão de euros em lucros. Para não chamar a atenção para aquantia, ele a disfarçava com supostos prejuízos em falsasoperações. "Não consigo acreditar que meus superiores não perceberam odinheiro que eu estava comprometendo [com as transaçõesilícitas]. Era impossível gerar tais lucros com posiçõespequenas", disse Kerviel, segundo as transcrições. Como operador júnior, havia limites para as posições queele podia assumir, mas a SocGen diz que ele sabia burlar essescontroles graças aos cinco anos que passou em outras áreas dobanco. O presidente do Banco Central francês, Christian Noyer, ochamou de "gênio da fraude" e "gênio da informática," masKerviel é mais modesto. "As técnicas que eu usei não eram nada sofisticadas.Qualquer sistema corretamente instalado é capaz de detectaressas operações. Não houve nenhuma esperteza maquiavélica daminha parte", disse ele, acrescentando que só pretendia gerarlucros para o banco. Kerviel descreveu um sistema que servia de "colchão" paraesconder as transações -- inclusive o lucro de 1,4 bilhão deeuros no final de 2007. "Ninguém jamais obteve esse tipo de lucro antes", afirmou,explicando porque maquiou as cifras para parecer que havialucrado "apenas" 55 milhões de euros. Segundo ele, seus gerentes lhe ofereceram um bônus de 300mil euros em 2007, mas ele pediu o dobro. À polícia, alegou queno ano passado só tirou quatro dias de folga e que seus chefestoleraram isso. "O simples fato de eu não ter tirado férias em 2007 deveriater alertado meus gerentes. É uma das primeiras regras doscontroles internos. Um operador que não sai de férias é umoperador que não quer deixar seu livro com terceiros",declarou, de acordo com as transcrições. O diretor de investimentos do SocGen, Jean-Pierre Mustier,disse no domingo a jornalistas que o banco pediu que Kervieltirasse férias antes do fim do ano, mas que ele pediu umadiamento por razões pessoais, aceitas pelos chefes. Na semana passada, o SocGen demitiu os chefes diretos deKerviel. (Reportagem adicional de Thierry Leveque)

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