Kirchner afrouxa controle de preços após vencer eleição

Economistas calculam que taxa chegue a 2,5% em novembro e 20% no ano e governo prevê 0,6% e 10%

Ariel Palacios, BUENOS AIRES, O Estadao de S.Paulo

23 de novembro de 2007 | 00h00

Após ter vencido as eleições de 28 de outubro, que levou a sua mulher, Cristina Kirchner, à Presidência da Argentina, o governo Néstor Kirchner começou a flexibilizar o controle de preços que estava em vigor há mais de um ano, além de deixar de pressionar as empresas para impedir o aumento de tarifas, entre elas as dos planos de saúde e dos combustíveis.Dessa forma, tal como grande parte dos analistas calculavam para o período pós-eleitoral, após a vitória da primeira-dama, a inflação começou uma nova escalada nas últimas semanas.Dados preliminares do governo indicam que a inflação "oficial" de novembro - elaborada pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), organismo sob férrea intervenção de Kirchner - seria de apenas 0,6%. Economistas independentes, no entanto, indicam que esse índice é fictício e não passa de manipulação do governo. Em média, os economistas calculam que a inflação real de novembro, que será anunciada na primeira semana de dezembro, chegaria a 2,5%. De acordo com as estimativas do governo, a inflação oficial deste ano será inferior a 10%. Mas a inflação real, segundo os economistas, será superior a 20%. As empresas sustentam que precisavam atualizar seus preços, que, ao longo dos últimos dois anos, estiveram reprimidos pelo governo Kirchner por questões eleitorais. Dessa forma, as empresas de planos de saúde aumentarão as suas mensalidades em 25% em dezembro. Os combustíveis registram alta de 14% nas últimas três semanas e prometem provocar um efeito dominó no resto dos produtos e serviços. Para complicar, em razão da falta de investimentos, a capacidade de produção de combustíveis aumentou menos que o necessário. O consumo neste ano, estimulado pela recuperação econômica, cresceu 30% em relação ao ano passado. Mas as empresas de combustíveis somente entregam 6% mais nos postos de gasolina em comparação ao ano passado. Os alimentos também exibem claramente a escalada inflacionária. Parte dos cortes de carne bovina - elemento crucial na mesa dos argentinos (são os maiores consumidores per capita do mundo, com 67 quilos anuais) - sofreram aumentos de 17% desde as eleições. Laticínios, ovos e pão registraram altas entre 15% e 20% desde o início deste mês. A continuidade da escalada inflacionária nos primeiros meses de 2008, ou seja, no novo governo, já é uma garantia, pois as empresas privatizadas de serviços públicos começarão a descongelar suas tarifas para consumidores residenciais, paralisadas desde janeiro de 2002, quando o país estava imerso na pior crise de sua história. O setor de energia elétrica aplicaria um aumento de 14% em suas tarifas. Mas esse aumento seria aplicado somente aos consumidores da classe média e alta, principalmente de Buenos Aires, reduto da oposição. NOVO MINISTRO0 Martín Lousteau, designado como o novo ministro da Economia, com posse prevista para o dia 10 de dezembro, terá no combate à inflação um dos vários desafios a enfrentar no próximo ano. No ano que vem, a estratégia do governo de Cristina Kirchner será a de domar a inflação por meio do ambicioso pacto social, cuja negociação ainda não começou.A idéia é chegar a um acordo que determine previamente as altas salariais para 2008 e 2009, além dos preços dos produtos e investimentos empresariais.REPIQUE20%é a inflação estimada por economistas para este ano10%é a taxa prevista pelo governo25%é o aumento previsto para os planos de saúde em dezembro 14%foi o reajuste dos combustíveis

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